ESTUDO SOBRE A SEDUÇÃO NOS MAMÍFEROS RACIONAIS de Rodrigo Nogueira e Julia Spadaccini

Ele: Você vem sempre aqui?

Ela: Quando quero trepar eu venho.

Ele: E eu te interesso como parceiro sexual?

Ela: Em princípio sim. Interessa... Você não faz exatamente o meu tipo mas é bastante simpático, tem uma cara boa e cabelos bem tratados. Isso deve compensar o tamanho insuficiente das suas pequenas mãos e uma certa falta de masculinidade que eu encontrei no tom da sua voz.

Ele: Que bom! Você me interessa bastante como parceira sexual. Mas você sabe que como homem isso é secundário. Só quero mesmo é uma vagina pra poder liberar os tais trinta e cinco milhões de espermatozóides com prazer.

Ela: Acho que é seu dia de sorte porque eu não faço sexo há dois meses. Saí de casa decidida a copular com virtualmente qualquer um que se interessasse por mim.

Ele: Que bom.

Ela: Já que você tocou no assunto vagina, me fale sobre o seu órgão genital.

Ele: Dados gerais ou funcionamento fisiológico?

Ela: Vamos começar pelos dados.

Ele: Bom, dezoito centímetros de cumprimento e quatro de diâmetro medidos pela base. Glande levemente protuberante em relação ao restante do pênis com diâmetro de quatro centímetros e meio.

Ela: E como é o abaloamento da glande em direção à uretra?

Ele: Ela é mais do tipo redonda. Eu não tenho esses dados em número, me desculpe, mas é um abaloamento curvilíneo. Não é um pênis do tipo lápis, que se fecha abruptamente. É mais um pênis sorteve? (Faz o gesto)

Ela: Sorvete? (repete o gesto)

Ele: É, sorvete. (idem)

Ela: Ah, que bom. Muito interessante. É. Por enquanto estamos indo bem. Porque o coeficiente de dilatação da minha vagina quando fico excitada é de 4pi. E a profundidade do meu canal vaginal me parece bastante compatível com seus dezoito centímetros. Pelos dados que você me passou, acho que temos grandes chances de ter sucesso na fricção genital.

Ele: Ótimo! E você tem alguma DST?

Ela: Devo confessar que já tive herpes na adolescência e recentemente, há pouco mais de um ano apareceram alguns cistos de HPV no meu pequeno lábio esquerdo. Mas fui devidamente tratada. Além do mais essas são doenças ligadas ao sistema imunológico. Com estou com minha imunidade bastante em alta garanto que o vírus está latente e você não tem risco de contaminação.

Ele: Isso me alivia.

Ela: Também sou muito asseada. Não só uso sabonete líquido para higiente íntima como também tenho lavado minha lingerie com um produto novo chamado higi-calcinha.

Ele: Higi-calcinha?

Ela: Exatamente. É recomendado pelos ginecologistas e evita a presença de fungos e bactérias nas peças íntimas.

Ele: Que ótimo!

Ela: Pois é! Além disso ele contém Aloe Vera o que ajuda a preservar o frescor vaginal por muito mais tempo.

Ele: Todas notícias boas!

Ela: E você?

Ele: O que tem eu?

Ela: Como está a saúde de sua genitalha?

Ele: Ah, muito boa. Tenho um pênis bastante bem conservado. E a aparência dele é bastante agradável também. Até bem pouco tempo, devo confessar também, que eu sofria de hipercapilaridade púbica. Uma lástima. Os pelos não se contentavam em ficar ao redor do pênis, sabe. Então parte da minha genitália era, veja só, coberta por cabelos. Só até os quatro primeiros centímetros. Mas resolvi isso num


dermatologista e hoje sua visão tem costumado aprazer minhas parceiras.

Ela: Curvaturas?

Ele: Só uma, levemente para cima. Levemente.

Ela: Ai, que bom. Não sou muito dada a pênis com curvaturas laterais. Além de não me ser esteticamente agradável, machucam muito a garganta na hora do sexo oral.

Ele: Você gosta de sexo oral?

Ela: Muito!

Ele: Que alegria. Eu também gosto muito. Caso a gente decida travar cópula podemos começar nosso coito com uma relação sexo-bucal simultânea popularmente conhecida como meia nove!

Ela: Me parece uma ótima idéia.

Ele: Tenho uma técnica. Vou te proporcionar um orgasmo clitoriano bastante intenso.

Ela: Bacana.

Ele: Bom, acho que aparentemente somos sexualmente compatíveis. Mas temos que ver se fisicamente essa compatibilidade se estende.

Ela: O nível de umidade da minha vagina está aumentando também. E acredito que meus pequenos lábios estão se tornando róseos e vermelhos.

Ele: Vamos fazer sexo?

Ela: Vamos.

(Os dois levantam)

Ela: Você ainda não me disse seu nome.

Ele: Maurício.

Ela: Prazer meu nome é Laura.

Ele: Prazer.

Ela: Prazer.

OS VENCEDORES de Renata Mizrahi

Agora você vai olhar pra mim. Eu já sei, vai querer que eu te beije na boca, vai querer.

Eu me lembro bem de você na varanda. Você me olhou a festa inteira, e eu, não sei se por preguiça ou provocação, não fiz nada, apenas retribui o seu olhar, sem maiores intenções.

Agora você vai colocar a sua língua na minha boca. E vai rodar a sua língua dentro da minha boca.

Foi na varanda. É, foi na varanda, essa extensão de chão que dá preferência aos bêbados enclausurados. Eu era um desses, bêbados enclausurados, tinha saído para pegar um ar. Eu estava bêbada, pegar um ar. Fiquei não sei quanto tempo olhando para o céu, noite tenebrosa. Será que eu estava bêbada?

Você tá pensando na melhor posição. Eu ainda não sei o que fazer com a minha língua. Você está sorrindo, imaginando, sorrindo e imaginando. O quê? Cara de um vencedor. E o prêmio vai para. É um vencedor. Sorrindo.

Sóbria. Eu olhava para a lua sóbria. Eu conversava com a lua, justamente sóbria, justamente. Talvez. Uma presença atrás de mim, meio pelos ombros. Antes de virar, uma mão na minha cintura. Era a sua.

Você está tirando a minha blusa. Você passa a mão levemente em meus seios. Sou a vítima, a donzela nas garras do mal feitor. Você acredita. Agora você é mais que um vencedor.

Pablo Neruda? Ahn? Você está recitando Pablo Neruda? Estou? Não está? Não sei. Bonita. A noite? Você. Obrigada. Vamos dançar? Agora? Aqui. Talvez.

Sua boca nos meus seios me faz lembrar a minha mãe. Eu não devia estar pensando isso. Não com um vencedor.

Seu nome? Me lembro que falei o meu nome em seu ouvido. Ou não falei? Lindo. Obrigada. O meu é... Não precisa. Não? Não.

Agora você vai... Não aperta, por favor, olha pra mim. Será que vê a minha cara de dor? O vencedor tem que saber de tudo. Não machuca, por favor.

Champanhe? Vinho. Tinto? Branco.

Eu penso na última vez que amei. Faz quanto tempo? Eu amei? Eu amei. Amei? Ah, você está aí, desculpe, me distraí pensando no amor. Vou continuar me fazendo de vítima pra você se sentir um vencedor. Um não, dois, não, vários. Você são vários. Você percebe? Não. Percebe? Não. Minha mão pegou seu pau. Não.

Foi na varanda. É, foi na varanda, essa extensão de chão, que me fez estar aqui. Por que eu entrei na varanda? Ah, bêbados enclausurados. Eu estava bêbada. Sóbria. Talvez enclausurada.

Agora eu te chupo, você geme, você me toca, eu gemo. Não, eu não gemo. Você geme, eu não gemo. Agora você é a vítima e eu sou a vencedora. Qual é o seu nome? Não, não me diga, é melhor assim. Você gosta de Pablo Neruda? Você tem quantos anos? O que você tava fazendo atrás de mim na varanda? Meus olhos são bonitos? Não grita, senão eu te mordo mais.


Quer ir pra minha casa? Agora? Por que não? E o vinho? Eu tenho. Agora? Por que não? Eu quero. Por que não?

Entra devagar e me beija. Sim, assim, olha nos meus olhos, veja como eu estou gostando, vencedor. Sim, esse é o meu nome, mas não é o meu nome. Esse é outro nome, o que importa? Vai com calma. Deixa eu mexer. Isso. Assim, pateticamente clichê. E daí? Dane-se. Depois eu vou embora, você nem vai ver, vai dormir primeiro, e eu vou voltar para a varanda, céu tenebroso, lua, essa amante fiel. Por que não?

Por que não?

FIM.



OU NÃO.

SEXO!? de Larissa Câmara

Ah, hoje eu estou com uma dor de cabeça...

Meu sincero carinho coberto por beijos e lambidas para os que acompanham o site... Enfim, gente peço desculpas, mas por conta da dor de cabeça ficarei por aqui.

Aproveito para oferecer meus sinceros serviços de Puta Cult:

Vou fazer várias coisas muito perversas para você não ficar com medo nos filmes do Bergman e outras peripécias ultra safadinhas para você não dormir vendo os filmes do Fellini!

Um Beijo Molhadinho. Me liga!

PS: Vinde a mim as delocinhas!!!

A REVOLTA DOS ÓVULOS de Julia Spadaccini

Homem e mulher entram em cena namorando. Quando a coisa toda esquenta ele dá uma fungada muito estranha.

Mulher- Pára! Pára!

Homem- Que foi?

Mulher- Não sei...

Homem- O quê?

Mulher- Um sentimento estranho.

Homem- Que sentimento?

Mulher- Desculpa, acho que não vai dar certo.

Homem- Como assim?

Mulher- É... Acho que não tem futuro.

Homem- Futuro?

Mulher- É a gente. Não vejo futuro. Se tivesse eu sentiria...

Homem- Escuta a gente se conheceu hoje, não precisamos casar...

Mulher- É. Não vamos.

Homem- Quem sabe?

Mulher- Eu sei, não vamos casar.

Homem- Quer parar com isso! Tá me dando arrepio!

Mulher- Escuta, desculpe perguntar, mas, esse troço que você faz com o nariz, sempre fez?

Homem- Que troço?

Mulher- Essa fungada lateral.

Homem funga novamente.

Homem- Não sei do que você está falando...

Mulher- (para si) Então, é de nascença... Olha, me desculpe, mas não vai dar...

Homem- Eu fiz alguma coisa errada?

Mulher- Não! Você é ótimo! Ótimo! Muito bom mesmo... Dos que eu tenho visto por aí você é um
dos melhores... Mas mesmo assim...

Pausa.

Homem- É foda!

Mulher- O quê?

Homem- Foda! Precisa neurotizar uma trepada?

Mulher- Não é neurose, são meus óvulos...

Homem- Seus o quê?

Mulher- Óvulos.

Homem- O que é que tem os seus óvulos?

Mulher- Li numa revista que a partir dos 25 anos os óvulos começam a envelhecer e a probabilidade de engravidar diminui em 50%.

Homem- E daí? Quem disse que eu quero ter um filho com você?

Mulher- Você não pensa nisso porque seus espermatozóides estarão sempre novos... Pode ter um filho saudável em qualquer idade.

Homem- Tá, tudo bem, mas o que isso tem haver com a gente dar uma trepada?

Mulher- Se você não vai mesmo ser o pai dos meus filhos, para que eu vou perder tempo fazendo sexo com você?

Homem- Para ter prazer, para gozar, para ser feliz... Sei lá, pô!

Mulher- Não fico feliz... Se eu olhar para você e achar que não tem futuro, não consigo ficar feliz... vou ficando cada vez mais triste, deprimida... E na hora que você gozar e colocar para fora seus espermatozóides novinhos, vou pensar no meu óvulo enrugado, se degenerando a cada segundo e vou chorar com certeza, já aconteceu antes...

(pausa)

Homem – E se eu te disser que...

Mulher – O quê?

Homem – Não tenho espermatozóides.

Mulher – Não?

Homem – Não posso ter filhos.

Mulher – E agora?

Homem – Não é maravilhoso? Não precisa pensar mais nos seus óvulos, já que não vai mesmo engravidar!

Mulher – Nossa, sabe que você tem razão... Ufa! Que alívio! Tira um peso de mim.

Mulher agarra homem num rompante.

Mulher – Você é o homem da minha vida!!!

Fim.

LÍNGUA LAMBE (VERSÃO 2) de Jô Bilac

Cj/33anos

June_RJ

(conversa por MSN)


Cj/33 diz:
Oi lindona, blza?

June_RJ diz:
blza, tc de onde?

Cj/33 diz:
Centro e vc?

June_RJ diz:
tmbm. Quantos anos?

Cj/33 diz:
33. e vc?

June_RJ diz:
29. já tclamos antes?

Cj/33 diz:
num lembro. Como vc é?

June_RJ diz:
branca, 1.67m, 54k, cabelo curto louro, olhar distante, contemplativo, levemente sexual. E vc?

Cj/33 diz:
Sarado, 1.82m, moreno claro, olhos castanhos, ardidos, vermelhos, querentes.


June_RJ diz:
?

Cj/33 diz:
Tá sozinha aí?

June_RJ diz:
Nem. Escritório. E vc?

Cj/33 diz:
Sozinho... sem cueca...cheio de vontade...

June_RJ diz:
Vontade de que, menino?

Cj/33 diz:
Adivinha...

June_RJ diz:
Comer lasanha?

Cj/33 diz:
Acertou na mosca!

June_RJ diz:
Haushauhsuasuasuahuah

Cj/33 diz:
Ou Se vc sugerir algo melhor...eu como...

June_RJ diz:
Hum... algo de chupar ou de morder...?

Cj/33 diz:
Algo Dê p passar a língua...

June_RJ diz:
Vc curte uma linguada? Hahahhaa

Cj/33 diz:
Curto mais linguar, na verdade! Hehhehe

June_RJ diz:
Onde?

Cj/33 diz:
Vc está fugindo do assunto...

June_RJ diz:
Nem. Estou indo direto a ele.

Cj/33 diz:
Atá.

June_RJ diz:
Onde a lingua lambe?

Cj/33 diz:
A minha ou a sua?

June_RJ diz:
A sua lingua, no caso.

Cj/33 diz:
Hum... depende.

June_RJ diz:
??????????

Cj/33 diz:
Depende o que se está lambendo…E o que se pode lamber…

June_RJ diz:
Deixa a língua seguir o fluxo que ela estiver afim…

Cj/33 diz:
Sempre. Nunca forço minha língua a nada que ela num quiser fazer.

June_RJ diz:
Como?

June_RJ diz:
Como?

June_RJ PEDE ATENÇÂO

Cj/33 diz:
:P ???

June_RJ diz:
como ela faz? A língua.

Cj/33 diz:
Devagarinho… mas sem ser lenta. Com força… mas sem machucar… Sinuosa, sem perder a retidão. Entrando e saindo, sem muita insistência... em pontadas, em carícias, às vezes larga, às vezes estreita.

June_RJ diz:
E o qual é o trajeto da língua...?

Cj/33 diz:
A Língua lambe da nuca até a covinha da cauda. Desliza molhada, num rastro lambido, queixoso de mordidinhas levianas_ a língua lambe despretensiosamente as dobradiças secretas de suas coxas, do joelho ao calcanhar. A língua segue lambendo entre os dedos, trêmulos de desejo, enciumados de lambidas, exigindo os dentes, carentes, ensopados de saliva. A língua lambe a gengiva, coçando o céu da boca, a língua é louca. A língua lambe o redondilho de seus seios, escorrendo ao mamilo, se escondendo em seu umbigo. A língua lambe seu sexo. Invadindo sem receio. Língua sem freio. Língua invertebrada. Língua já cansada. Língua que não pára. Língua que só quer lamber.

June_RJ diz:
Estou imaginando vc lambendo...

Cj/33 diz:
Descreve.

June_RJ diz:
Sua boca inchada cavando meu sexo. Minhas mãos emboladas em seus cabelos, te sufocando entre minhas pernas. Minhas pernas. Agressivas, em espasmos, cravadas em suas costas largas. Meus pés roçando sua bunda carnuda, nua, contorcida em desejo. O desejo me deixa tonta e sem saber ao certo: se quero que vc continue ou pare...

Cj/33 diz:
Deixa eu continuar...

June_RJ diz:
Eu deixo.

Cj/33 diz:
e como vc quer que eu continue...?

June_RJ diz:
entre minhas coxas. Seus braços sustentando minhas pernas, numa alavanca despudorada, pronta pra me partir em duas. Metade a ser devorada agora, metade a se aproveitar mais tarde.

Cj/33 diz:
Posso morder...?

June_RJ diz:
Vc se impõe. Não tenho escolha. Estou tomada. Uma vontade insuportável de ceder, de colocar tudo dentro de mim. Como se eu sozinha, fosse capaz de abrigar o mundo em meu sexo. Enfiar vc por inteiro em meu avesso. Eu deixo. Pois já não é questão de deixar.

Cj/33
Posso tirar pedaço? Estraçalhar... Romper? Quero te comer com meus dentes, fazer digestão de vc. Quero te lambuzar, te regar com meu leite, e fazer de vc uma massa, um todo, uma coisa só. Consumida crua, ainda sangrando. Meu leite escorre em sua garganta.

June_RJ diz:
Vc me engole como...?

Cj/33 diz:
Mastigando pra não engasgar.

June_ RJ diz:
No divino impudor da mocidade,

Nesse êxtase pagão que vence a sorte,

Num frémito vibrante de ansiedade,

Dou-te o meu corpo prometido à morte!

A sombra entre a mentira e a verdade…

A nuvem que arrastou o vento norte…

- Meu corpo! Trago nele um vinho forte:

Meus beijos de volúpia e de maldade!

Trago dálias vermelhas no regaço…

São os dedos do sol quando te abraço,

Cravados no teu peito como lanças!

E do meu corpo os leves arabescos

Vão-te envolvendo em círculos dantescos

Felinamente, em voluptuosas danças…



Cai a conexão.
FIM.

UMA TESÃO DE CRUZETA de Camilo Pellegrini

RAFAELA - escrava, vampira, prostituta, linda de morrer, maldade fluindo nas veias...

VALENTINA - rainha do pornô, dona da produtora de filmes eróticos "Setubal Produções". Carrega bebê-montro em sua bolsa, sua sobrinha Déborah.


SÔNIA - produtora de surubas, dona da casa de sexo grupal "Cê Que Sabe". Simpática, de bem com a vida. Sua única mágoa é um filho que perdeu.

Trovões. Chove muito lá fora. SÔNIA na bilheteria da casa "Cê Que Sabe". VALENTINA já espera lá dentro, agoniada com sua bolsa. RAFAELA chega ali de capa de chuva toda molhada, se dirige a SÔNIA.

R- Boa noite.

S- Uma boa noite pra você.

R-Quanto é que está a entrada?

S- Hoje que é uma noite mais calma é 500 reais.

R- Que é isso! Eu não vou ficar na casa não! É só um encontro! Sou uma profissional. O cliente que marcou aqui.

S- Cheiro interessante você tem. Me permite?

SÔNIA se aproxima para sentir o perfume de RAFAELA.

R- É alfazema.

S- (TOLA) Alfazema não diz que afasta homem?

R- (BUFA IMPACIENTE) Bom. Isso eu já não sei. Vai fazer o desconto?

S- Entra de graça. Se é pra apanhar o cliente, uma simpatia como você. Está em casa. Mas vai querer tirar o capo... o capô... capo... capa... ca... (ESPIRRA)

R- Tudo bem?

S- Desculpa. Um pelinho me coçando o nariz. A capa de chuva. Me dê.

RAFAELA tira a capa de chuva, veste um belo corpete. ELA entrega a capa a SÔNIA que sente a textura da vestimenta.

S- Está molhadinha.

R- É que lá fora está um toró.

Trovões. A luz falha um pouco.

S- Vou colocar aqui na chapelaria.

SÔNIA pega um belíssimo cabide. RAFAELA fascinada.

R- Que cruzeta mais linda!

S- (NUM SUSTO) Oi?

R- A cruzeta! Bárbara!

S- Está falando do cabide?

R- É sim! Uma tesão de cruzeta.

S- Bom. Fique à vontade.

RAFAELA adentra o lugar, VALENTINA se aproxima DELA.

V- Oi.

R- Boa noite.

V- Sozinha?

R- Esperando uma pessoa.

pausa

V- (SEGREDA) Eu trouxe algema! Você gosta? Curte algema?

VALENTINA tira uma algema da bolsa.

R- Não, obrigada.

pausa

V- Luva de pele de coelho? Olha que coisinha mais gostosa! Fáz cócegas!

R- Não estou interessada.

pausa

V- Mas eu tenho aqui uma que vai te fazer cair o queixo!

VALENTINA tira uma estranha caixa de dentro da bolsa. A tomada fica presa pra dentro.

R (CURIOSA) O que é isso?

V- Adivinha!

R- Parece pesado.

V- Um eletrodo indutor orgiástico. (PAUSA) Diz que não ficou chocada.

R- Nossa.

V- Uma mulherona linda assim não vai querer usar? Diz pra mim? Conta no meu ouvidinho.

R- Quero não.

V- Deixa eu ligar pra ver teus olhinhos brilhando!

VALENTINA tenta puxar o fio da tomada de fora da bolsa, sem sucesso.

V- Solta Deborah! Larga! Deborah, se você estragar, vai ter!

R- Deborah?

VALENTINA consegue arrancar o fio da tomada.

V- Ufa! Aqui. (CHAMA) Mocinha?! Tem tomada aqui?

SÔNIA se aproxima descrente. VALENTINA procurando pelas paredes.

S- Não entendi.

V- Tomada fêmea, querida! Pra eu enfiar o meu macho! A coisa funcionar!

S- (DE MÁ VONTADE) Tomada? Aqui, na casa?

V- Aqui não, filha. Na puta que te pariu.

S- Olha lá como fala, heim!

R- Não precisa disso, minha gente. Por favor.

V- Não estou vendo tomada nenhuma nessa joça.

S- (IMPORTANTE) Não tem tomada mesmo não. Não estava no projeto do arquiteto.

V- Arquiteto de c* é r#la. Esse lugar que é de quinta.

S- (FATÍDICA) A maioria do clientes já traz seus apetrechos com a própria bateria.

R- Não há necessidade dessa quizumba, meninas.

S- Então manda essa daí se controlar.

SÔNIA se afasta batendo os pézinhos, revoltadinha.

V- (REVOLTADA) Vamos embora daqui! Vou te levar pra tomar uma champanha! Vamos estourar uma champanha pra celebrar nossa revolta! O nojo que a gente tem desse lugar!

R- Não vou contigo. Pra onde? Estou esperando cliente.

V- (SE DESILUDE) Poxa. Não sabia. Pensei que estava assim à toa. Não imaginei que a distinta dama se tratasse de uma porfissional.

R- Você pode assitir se quiser. Pelo buraco quente da fechadura cuspindo vapor no teu olho. Pode ouvir nossos gemidos, se quiser. Gosta de ver?

V- (PERDIDA) Já é alguma coisa.

R- Mas o meu suor salgado, não. A minha carne na tua carne quente. Aquele calor insuportável.

V- A gente liga o ar condicionado! Vem! Vem pra casa comigo? Não tem jeito de te convencer? Eu sou da Setubal Produções. Já deve ter visto algum filme que eu produzi. "Orquídias Loucas"? "Meu amante tem frieira"? São clássicos do Noir Pornô? Te arranjo um trampo.

R- Não vai dar. Quem sabe em outra ocasião. Adeus.

RAFAELA se afasta. VALENTINA com o coração em frangalhos.

FIM............por enquanto........

 

 

 

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