O QUE A GENTE NÃO VÊ, de Rodrigo Nogueira

Uma lata de lixo.

Um silêncio

Lata de Coca: Ai, ai.

Meio tomate: O que foi?

Lata de Coca: To me sentindo tão vazia.

Meio tomate: Essa foi a piada mais podre que eu j á ouvi nos últimos tempos.

Lata de Coca: Podre? Podre? Um meio tomate em decomposição que fede mais que um absorvente usado vem me falar de podre?

Absorvente: Dá pra me deixar fora da briga de vocês?

Lata de Coca: Desculpa.

Meio tomate: Melhor ser podre na hora de morrer do que ser morta por dentro desde o nascimento. Mostra que pelo menos eu tenho alguma coisa viva pra poder apodrecer. Você não é mais que um pobre receptáculo de um líquido feio e nojento que só serve pra produzir arrotos e celulites em mulheres infelizes.

Lata de Coca: Ai você é muito grosso. E quem disse que isso é a hora da morte?

Absorvente usado: Ih, pronto.

Meio tomate: Queridinha, caso você não tenha reparado a nossa vida útil no momento é igual à quantidade de ética da empresa que te fabrica. Inexistente.

Lata de Coca: Ah, não. Mais um tomate comunista? Coisa démodé.

Meio tomate: Eu não nego a minha cor.

Lata de Coca: Nem eu a minha, meu amor, mas você não me vê levantando bandeira nem fazendo passeata.

Meio tomate: Isso é questão de origem. Eu sou vermelho e da terra. Com muito orgulho. Ianque!

Lata de Coca: Como você é ácido.

Meio tomate: Também não nego o meu gosto.

Lata de Coca: Isso é porque o seu destino é o lixão. Já eu, vou ser reinventada e nascer de novo, meu amor. Novinha em folha. Eu sou a Madonna dos bens descartáveis.

Meio tomate explode numa risada.

Lata de Coca: O que foi? O que é que ele tem?

Absorvente usado: Já disse que eu não quero me meter.

Lata de Coca: Passa a vida inteira metido no meio das pernas de uma mulher qualquer e agora não quer se meter na história dos seus companheiros de lixo. Muito engraçado você.

Meio tomate: Ela acha que vai ser reciclada.

E ri.

Lata de Coca: Eu VOU ser reciclada.

Meio tomate: Querida, olha em volta.

Lata de Coca: O que é que tem?

Meio tomate: Uma lata, um absorvente usado, algumas rolhas de espumante rosé barato e um pedaço de acém.

Acém: Eu sou alcatra!

Meio tomate: Cala a boca que a gente veio da mesma cozinha! Eu sei da tua história, carne de segunda!

Acém (baixinho): Alcatra...

Meio tomate: Então, sua vendida. Você veio parar no lixo errado. Aqui nada se recicla. Não tem papéis, plásticos, vidros ou alumínios. É fim de linha pra você, gata. Fim da linha.

Lata de Coca fica muda um instante. E começa a chorar.

Meio tomate: Olha... Desculpa.

Lata de coca chora ainda mais alto.

Meio tomate: Eu não queria te ofender. Nem te fazer chorar... Olha o lado bom. Você pelo menos vai continuar sendo você mesma pelos próximos seiscentos anos. Pior a minha situação que vou virar adubo de terra logo na primeira semana de decomposição.

Lata de Coca: Eu sempre sonhei com a reciclagem. Sempre achei que fosse ser o meu grande momento. Que eu talvez pudesse voltar na pele de uma cerveja tailandesa ou um chá gelado no Japão. Eu gosto tanto do oriente...

E volta a chorar.

Meio tomate: Eu também sempre quis acreditar em reciclagem. Mas comunista sabe como é. Religião nem pensar.

Lata de Coca: E agora eu vou ter que passar o resto da minha existência como uma lata inútil e vazia. Com esse puta vazio dentro de mim. Não e justo, não é.

Lata de Coca volta a chorar. Meio tomate se enternece. Ele olha pra ela meio galante.

Meio tomate: Olha, eu tenho uma idéia.

Lata de Coca: O quê?

Meio tomate: Nada não. Deixa pra lá.

Lata de Coca: Não, fala, por favor. Eu quero saber.

Meio tomate: É que eu tava aqui pensando... Se eu entrar em contato com a terra eu sumo, né? Mas se eu ficar num lugar fechado, de repente, eu apodreço mas continuo vivendo.

Lata de Coca: Sei...

Meio tomate: E você não quer se sentir vazia...

Lata de Coca: O que você ta querendo dizer?

Meio tomate: Bom... Se você quiser... É só uma idéia! Eu posso... entrar em você. Eu vou continuar existindo. E você, talvez, não vai se sentir tão vazia.
Lata de Coca: Ai, eu fiquei meio sem jeito, agora. Mas eu confesso que desde que eu te vi aqui dentro eu fiquei um pouco mexida com esse teu mau humor. E esse teu cheiro forte. Achei másculo. Sexy. E pra quem passou a vida toda com açúcar até a cabeça, ter um recheio mais amarguinho pode ser bem interessante.

Meio tomate: E então? Você aceita? Será que... Será que você me dá a honra de te preencher? Ou pelo menos tentar de preencher?


Lata de Coca: Aceito!

Os dois se beijam. Tomate entra dentro da lata de Coca que rola de felicidade.

Absorvente usado: Ai, que saudades da minha vagina...

AOS ESCOMBROS de Renata Mizrahi

Regina chega em seu conjugado alugado deprimida após um dia ruim em que ela brigou com o namorado, foi mandada embora do trabalho, quase foi atropelada, não teve dinheiro para o super mercado, é segunda feira, seus amigos estão ausentes, e sua mãe não a entende. Regina liga a televisão, canal aberto pois ela não tem dinheiro para pagar TV a cabo.

Na televisão está passando o telejornal. Regina quer desligar a televisão, mas fica com preguiça, acaba assistindo.

Entra a apresentadora de tele jornal.

Apresentadora de tele-jornal: Boa noite. Abelhas africanas invadem os países da América Central causando tremendo alvoroço na população. Muitos estão se mudando para os Estados Unidos e outro até mesmo se atirando no mar. O presidente da ONU, já disse que vai interferir com tropas mundiais no combate às abelhas. A justificativa para isso, é o medo das abelhas invadirem os paises do oriente médio.

Mulheres tiram a roupa na Torre Eifel em Paris, em protesto a uma decisão do governo de que estrangeiros não podem mais casar com francesas. Muitos homens, excitados com essa atitude, estão fazendo o mesmo. Por causa desse protesto, o presidente francês, mandou distribuir preservativos com medo de super população daqui a nove meses.

Tiririca lança seu primeiro filme e ganha primeiro lugar no festival de Cannes...

Regina muda de canal, está passando uma novela.

Entram os personagens da novela-

Donatela- Eu quero te dizer uma coisa.

Flora- Eu vou matar você.

Donatela- Você não vale nada.

Flora- Eu vou matar você.

Donatela- Eu vou te desmascarar.

Flora- Eu vou matar você ...

Regina muda de canal. Um programa de fofocas.
Entra, Clo, a apresentadora do programa.

Clo- Gente, olha que horror, a Carolina traiu o marido para ficar com um cara 15 anos mais velho que ela!! Gente!! E o Fábio, coitado, dizem que ele não consegue se livrar das drogas. Esse mundo maravilhoso dos artistas não é tão maravilhoso assim, gente!! Coitado do Fábio!!

Vozes em off: Coitado!!!

Clo: E agora vamos ver a imagem da nossa pegadinha na Casa dos Artistas. Como será que a Susanna Veira reagiu? Vocês vão ver agora...

Regina muda de canal. No outro canal está passando um reality show.
Entram 3 pessoas e ficam mudas.
Longo silêncio, Regina muda de canal. Volta para o tele jornal.

Apresentadora do jornal: Crianças refugiadas do Camboja, morrem de subnutrição em países da África. Mais de 5 mil crianças não sobreviveram as duras condições que passam a população refugiada...

A modelo Gisele Bundchen , é a mais nova contratada de Hollywood. Ela acaba de fechar um contrato de 3 anos para participar dos novos filmes de Kevin Bacon.

Homem se atira da de um prédio de 30 andares, porque não aceitou a separação de sua namorada.

(A apresentadora se confunde e repete a notícia)

Homem se atira de um prédio de 30 andares, porque não aceitou a separação de sua namorada

Homem...

Regina chorando em prantos, desliga a televisão.

Deita na sua cama, tenta dormir mas não consegue. A música do vizinho toca muito alto.

Música do vizinho: “vem popuzuda, vem sentar no meu nhem nhem. Vem popozuda, vam fazer ham ham. Popuzuda, popuzuda...”

Regina liga rádio para tentar ouvir outra coisa. Na rádio está passando horário político.
Ela abre a geladeira, pega uma batata frita velha e um refrigerante sem gás. Come mas não conseguir até o final. Ela pega um livro mas o funk do vizinho aumenta e ela não consegue se concentrar. Fecha a janela mas por dentro de seu conjugado ela ouve as vozes dos vizinhos de cima.

Vozes dos vizizinho: Ta doida, Zé? abre essa porta! (barulhos de porta fechando) Eu vou chamar a polícia, hein? Eu vou chamar a polícia!! Cala a tua boca, ordinária, eu vou te enfiar a porrada. Vem, vem, vem, que eu quero ver a porrada...

Regina abre a janela para pegar um ar mas de frente para a sua janela tem outra janela com um homem pelado falando no telefone. Esse homem repara que Regina o viu e começa a se masturbar na frente dela. Regina sai da janela assustada. O telefone dela toca, ela sai correndo para atender.

Regina: Alô?(pausa) Sim, sou eu. (pausa) Não. Não, obrigada, eu não estou interessada. (pausa) Não, eu não tenho... Eu não tenho... Eu não cartão de crédito. Não, tenho, não tenho...

Regina desliga no meio da ligação. Ela apaga a luz do conjugado, tenta se concentrar no sono, rezando para não acordar no dia seguinte.

__________________________________________________

BEAUTIFUL GARBAGE de Larissa Câmara


Trevas. A cena se passa no hospital, na UTI. Vemos e ouvimos apenas o medidor cardíaco com seu bip-bip irritante e constante e seus gráficos verdes ligados a uma paciente em coma. Uma porta abre. Entra luz pela porta. Podemos ver a silhueta de dois homens. Um homem entrega dinheiro ao homem de branco.

Enfermeiro: Você tem 15 minutos. Tome cuidado com os ossos do quadril. Ela é anoréxica. É terrível esbarrar as bolas na quina do ossinho do quadril. Pode lamber, chupar e beijar de língua. (pausa) Não tire o respirador da garota! Semana passada o faxineiro se empolgou e eu quase tive que usar o desfibrilador.

Homem sobe na cama do hospital sobre a garota. Enfermeiro segura a porta e faz movimentos de vai e vém tirando daquele instrumento pálido e mórbido sons de trepada. Uma espécie rara de barbatuque.

Enfermeiro: Sujou. Enfermeira chefe no corredor. Desce daí.

Homem não escuta. Enfermeiro se desespera puxa o homem. O respirador da garota sai do lugar. Ouvimos um bip agudíssimo. Os dois num gesto desastrado conseguem colocar o respirador no lugar. Voltamos a ouvir o bip-bip do início. Enfermeiro revoltadíssimo sai com o homem da UTI. Pausa. Entra enfermeira chefe. Prepada para tudo: salvar uma vida ou realizar um surpreendente fatality jogando Mortal Kombat. Enfermeira olha o relatório da paciente. Checa os gráficos dos aparelhos e ajusta levemente o respirador da paciente. Pausa.

Enfermeira Chefe: Eu senti que você estava precisando conversar. Você anda muito calada ultimamente. Acho que desde que esse enfermeiro novo apareceu no hospital você tem me evitado. Não adianta negar. Eu sinto isso. Antes quando eu fazia uma confissão, sua pálpebra esquerda subia um pouquinho. Quando você reprovava minha atitude, abria um pouquinho a boca fazendo uma cara de nojo. Eu entendia seus sinais sempre discretos. Eu prefiro assim. Sou muito discreta apesar de mancar um pouco. Quase ninguém percebe. Muita gente acredita que é apenas uma câimbra. (pausa) Eu estou aqui para falar com você e para ouvir. Sou generosa. (pausa) Poly mandou lembranças. Você pintou o cabelo da mesma cor que ela. Com apenas cinco anos já dava outros fins para o papel crepom. Sabe quem perguntou por você? Jessy, sua companheira de banheiro. Vocês cruzavam as mãos como se brindassem com taças de champagne Veuve Clicquot, e os dedos ávidos e aflitos entravam pela goela abaixo e vomitavam tudo até o passado. Um orgulho a potência da sua golfada, seu codinome era a explosão do hidrante, tinha a ambição de ser uma bombeira com o próprio vômito. Uma dia, depois de vomitar seu passado, você colocou uma jibóia de plástico enrolada na cabeça. Um gesto simbólico. Nos restos da sua náusea, numa espécie de regressão, você descobriu que foi Cleópatra na vida passada. Todos admiraram. Suas ações sempre foram dignas de aplausos. Ovacionada pelos tolos! Eu sempre soube que sua vida é uma desdita. Eu menti para você. Vim aqui pra julgar. Para mostrar qual cédula revela o seu preço. Você pintou os cabelos com papel crepom, tão criativa a menina do cabelo roxo no maternal! Você copiou os fotologs de Paty, roubou o ficante de Cindy e denuciou Sandy. (imita a paciente) “Oh, Ela usou o mesmo vestido duas vezes num baile de debutante”. Tão observadora. Sua anorexia é bela seu caráter é pútrido. Sinto a presença de coliformes fecais na sua aura. Eu maldigo a sua existência, o chão onde você pisa e o leito onde você se deita. Eu cuspo no seu rosto esquálido e funesto. (Pausa. Ouvimos os bips dos aparelhos) Responde. Não está ouvindo? Agora você vai me ouvir. (desliga um aparelho. Os bips dos aparelhos diminuem) A primeira vez que você esteve aqui foi para tomar glicose. A vitória do coma alcoólico. Olhei para você e fiz um mantra: quando a gente não se gosta a gente vira esse lixo! Você bebeu outras vezes, mais vezes. Resolveu dirigir, participar de rachas e um dia você capotou. Agora você está aí com esse sex-appeal de alface vegetando. Você está aí. Eu fiquei manca sua ordinária, mas sou discreta! Eu tomei uma decisão: úlcera, tumor - vou me livrar de você. Sabe, eu pego horror das pessoas. Sua passividade política me enoja. Aposto que nem sabe mais o que pensa nessa sua ânsia de agradar. Como sei que você vai querer me agradar você terá direito a um pedido, um último desejo. Saiba que não faço isso apenas por ódio ou desejo de vingança. Faço por uma espécie de “consciência sócio ambiental” que bateu em mim. Uma vontade de limpar o planeta. (desligando os aparelhos) Trouxe o CD da sua banda preferida: Garbage. (deixa Cd sobre a paciente) Ah, como eu sou fofa! (debochada) Vocês realmente combinam. (pausa) Hum, que discurso prolixo! Imaginei algo mais forte, curto e impactante.... Você é um lixo sua existência polui. Eu te odiei desde o príncipio, desgraça, monstro! (deixa apenas o monitor cardíaco ligado)

(Enfermeira Chefe, com a solenidade dos que matam, pega seringa e aplica um líquido num dos tubos dos aparelhos paciente desperta do coma olha para enfermeira e grita)

Paciente (despertando num grito olhando para a enfermeira): Mãe!

(Enfermeira Arranca o respirador da paciente e desliga o monitor cardíaco. Vemos apenas o gráfico morto horizontal do aparelho. Ao fundo um bip único e agudo ensurdecedor).

FIM BÔNUS TRACK

(Enfermeira mata a paciente. O som do bip ensurdecedor atrai o enfermeiro para a UTI. Ao abrir a porta o enfermeiro é supreendido pela Enfermeira chefe que enrosca os fios do desfibrilador no pescoço dele. Os dois lutam no chão. Ele se debate até sufocar. Ela aperta os fios no pescoço dele. Ela consegue se levantar e ligar o desfibrilador e dá choques no peito dele até a morte.)

Trevas...

FIM FINAL

TRASH!!!!!!!!!!! de Julia Spadaccini

Homem resmunga a munga do mundo imundo.

Eu 1- Se correr o bicho pega...
Eu 2- Se ficar o bicho come...
Eu 1- O bicho estranho...
Eu 2- Um medo de gente PHD...
Eu 1- Sabe tudo!
Eu 2- Gente que se apaixona por coisas...
Eu 1- Tô apaixonado pelo seu relógio!
Eu 2- Medo de perereca...
Eu 1- Perereca?
Eu 2- Ué, eu tenho...
Eu 1- E eu respeito...
Eu 2- Medo de nome grande...
Eu 1- Nome com Silva...
Eu 2- Acho Silva estranho...
Eu 1- Os Silva...
Eu 2- Tem sempre um Silva te observando...
Eu 1- E os Lima...?
Eu 2- Um medo da família Lima...
Eu 1- É...
Eu 2- Medo de não conseguir ficar igual a mim...
Eu 1- Ficar igual a todo mundo...
Eu 2- De virar uma massa ambulante...
Eu 1- De ser generalizado pelo resto da vida...
Eu 2- Fazer parte das estatísticas do Fantástico...
Eu 1- “ O que os homens acham das louras...”
Eu 2- Virar matéria de capa...
Eu 1- Medo de lista...
Eu 2- Lista do supermercado...
Eu 1- Lista das músicas mais pedidas...
Eu 2- Dos livros mais lidos...
Eu 1- Lista de chamada...
Eu 2- Julia Spadaccini...
Eu 1- Presente! Julia Spadaccini...
Eu 2- Ausente!
Eu 1- Medo dos projetos...
Eu 2- Projeto de vida...
Eu 1- Livros de auto-ajuda...
Eu 2- Retrato 3 por 4...
Eu 1- Passaporte...
Eu 2- Autorização...
Eu 1- Urna eletrônica...
Eu 2- Privada de avião...
Eu 1- “Rua sem saída”
Eu 2- Faixa de pedestres...
Eu 1- Uso exclusivo para funcionários...
Eu 2- Versão do diretor...
Eu 1- “Nunca aceite nada de estranhos”
Eu 2- Siga em frente...
Eu 1- Reserva ecológica...
Eu 2- DDD
Eu 1- DDI
Eu 2- 21
Eu 1- 31
Eu 2- 23
Eu 1- 2006!!!
Eu 2- Link
Eu 1- Site
Eu 2- Zip
Eu 1- Drive
Eu 2- Hardware
Eu 1- Software
Eu 2- home theater
Eu 1- Disquete
Eu 2- Display
Eu 1- Rewind
Eu 2- Out
Eu 1- Over
Eu 2- Fashion
Eu 1- Download
Eu 2- Credicard
Eu 1- Cause...I’m free...
Eu 2- I do what I want anytime...
Eu 1- medo desse buraco…
Eu 2- do cú do mundo...
Eu 1- E se não existir paraíso?
Eu 2- E se não existir uma questão de bom senso?
Eu 1- nada...
Eu 2- Eu pairando no nada...
Eu 1- Eu flutuando no cú do mundo...
Eu 2- E na segunda-feira eu lá estarei ainda pairando...
Eu 1- Não vai ter dia...
Eu 2- Não ter noite...
Eu 1- Só meio-dia
Eu 2- E meia-noite...
Eu 1- E não há como fugir...
Eu 2- O início será sempre do fim...
Eu 1- E esse desconhecido?
Eu 2- Continuará pra sempre...
Eu 1- Agora dorme...
Eu 2- Boa noite...
Eu 1- Bom dia...

PROTESTO PUNKBOSSAFUNK

Personagens:
Pessoa, escondida por um guarda-chuva Laranja
Voz, projetada pelo espaço.


(A Pessoa está sentada num banco de praça, ao que se pode ver. Tem um poste. Um luz fraca vindo dele. Essa luz faz um foco na Pessoa, que está escondida por um guarda-chuva Laranja. Não se vê nada além de uma capa de chuva azul, que vai até os pés da Pessoa. Uma neve fina cai lentamente. La Sonámbula, do Bellini ao fundo: http://www.youtube.com/watch?v=9_bSYsle1q0&feature=related )

Voz:
Vou fazer uma breve análise do que eu andei pensando sobre você. O interessante é que você nunca vai saber disso, e sempre que eu estiver em sua presença vai ficar achando justamente o contrário de tudo do que eu realmente penso de você. Isso se deve ao fato de você ser tão tapado e nunca perceber o que as pessoas realmente acham ou suspeitam...
Você é tapado. Já comecei a minha análise.
Isso é irritante e muito chato.
Gosta de monólogos, quando na vardade não tem ninguém na platéia disposto a te ouvir.
Você é burro. Isso eu acho o pior. Só porque você se acha tão inteligente e tem uma opinião formada a respeito de tudo , acha que é suficientemente suficiente. Ah! Eu escrevo errado, mas a sua burrice é catatônica e sem charme.
Aliás, charme é uma das muitas coisas que você não tem.
Você é feio.
E sem charme.
Feiura é até atraente.
Mas no seu caso não.
Feio e sem charme.
Burro, feio e sem charme.
Sem elegância.
Sem inteligência.
Você é é tão grosseiro. Onde foi criado? Num curral?
hahahahhaa
(essa parte é muito engraçada!)
Você é um porquinho, feio e sem charme.
Você é muito porco.
Você tem cara de porco.
Você mal escova os dentes e tem um aspecto sujo.
Sua pele é suja.
Sua pele é nojenta.
Tenho nojinho de você.
rsrsrsrs
sério. Não fica bravo.
Mas é que você é fala pra cacete!
Fala pelos cotovelos e fala coisas óbvias, como se tivesse descoberto a pólvora.
Mas eu nunca vou te dizer isso.
Não diretamente.
Acho que nem devo.
Porque é uma opinião só minha.
Hum.....na verdade não só minha... é também de algumas pessoas que você andou espantando.
Você tem um cheiro ruim.
e eu estou sentindo daqui.........................
Você tem um esgoto dentro da garganta.
Você é lixo.
Não fique bravo.
Eu ainda saio com você.
Eu ainda bebo café com você.
Eu ainda falo da vida com você.
E ainda te acho engraçado.
Hum...ponto pra você.
Você é engraçado.
hahahahhahaha
Humor é fundamental.
Mas sabe do que mais sinto graça em você?
É essa sua maneira ridícula em se comportar em público.
Você é ridiculo e sua idade não justifica isso.
Você é feio, tapado, burro, chato, ridiculo, fede, fala demais e é engraçado. Devo ter esquecido algo, mas não estou com paciência de voltar e rever.
ah.........vc é tão sozinho. porquinho. faz ronc ronc.
humor é fundamental.


Quando eu ver você novamente, vou lembrar dessa carta e vou te sorrir e você vai me sorrir de volta, sem saber o que realmente estou pensando...............................

...................aí eu sussurro entre os

dentes.................................................

................porquinho.

P.S.: Eu comi você.
Estou vomitando até agora.

P.S. 2: Os escombros dos meus dias soterraram todo amor que havia em mim. Tudo agora é só horror...

(o que se segue é mais silêncio)
(e um frio...)
(Luz cai em resistência)
(muitas coisas passam pela cabeça da Pessoa agora.)



fim.

 

AGORA CHEGA, ROBERTINHO! de Felipe Barenco

Todo santo dia, uma simpática senhora, uma fofa, cisma em jogar seu saco de lixo em frente à porta de Arlete. Arlete, todo mesmo santo dia, respira fundo, recolhe o mesmo saco de lixo e (re) coloca-o na porta da casa da senhora. Não sabe se a velhinha toma tal atitude por implicância, por loucura, por vingança, por maldade ou por falta de memória. O que Arlete sabe é que hoje...
ARLETE - Hoje não é dia de Maria, hoje é dia de retaliação!

Arlete olha na janela.

ARLETE – Olha lá, espia só. Não agüento mais, não agüento mais de não poder ficar pra depois, essa songa-monga, essa uva passa, essa vitamina de abacate, jogando o lixo aqui na porta de casa. Ela é o quê, ela é cega?

ROBERTINHO – Meu amor, acho que você está sendo um pouco intransigente.

ARLETE – Intransigente, Robertinho? Só porque, só porque ela é velha, ela tem o direito de ser porca? Eu tô por aqui, eu tô por aqui de estar transbordando, louca que nem uma pororoca, com essa melhorIdade fazendo porqueira no meu quintal.

ROBERTINHO – Meu amor, acho que você está sendo um pouco preconceituosa.

ARLETE – Preconceituosa, Robertinho? Eu tô com essa dentadura ambulante entalada na minha garganta, entalada de tal maneira, que eu sou capaz de comer uma caixa de OMO dupla ação só pra cuspir bolha de sabão na cara dela, que ela merece coisa muito pior.

ROBERTINHO – Meu amor, acho que você está sendo um pouco radical.

ARLETE – Radical? Radical, Robertinho? Foi isso que você falou que eu acabei de ouvir? Então quer dizer que esse apoio de bengala, esse monte de tinta de cabelo, suja a porta da nossa casa, joga o lixo na nossa porta e eu, EU, a mesma mulher que você casou, é quem está sendo radical?
Arlete olha pela janela.
ARLETE – Espia só, lá vem ela com a sacolinha de supermercado. O que essa mulhé tanto come, meu Deus do céu? Que vai produzir tanto lixo assim, Deus que me perdoe, que ele é pai e não é padrasto. Agora chega, Robertinho! Eu vou acabar com isso é agora, agora do verbo não pode ser depois, é já!

Arlete pega uma espingarda e mira na velhinha pela janela.

ROBERTINHO – Meu amor, acho que você está sendo um pouco exagerada.

ARLETE – Exagerada, Robertinho? Exagerada é o Cazuza, que ele sim era poeta.

Dá um tiro na perna da velhinha. A senhora, por sua vez, manca, continua caminhando até a porta de Arlete.

ARLETE – Ela tá o quê, querendo me desafiar, é? Então quer dizer que essa sócia de Sassá Mutema tá pensando que é imortal? Ah, é isso, ela não me conhece, não me conhece do tipo que não sabe com quem tá brincando. Porque eu dou um boi pra não entrar numa briga, mas também depois que eu entro, ah filhote!, eu dou uma boiada pra não sair.

ROBERTINHO – Meu amor, acho que você está sendo um pouco cruel.

ARLETE – Cruel, Robertinho? Cruel é o Pelé, que ele sim que é rei.

Dá um tiro na outra perna da senhora. Ela, por sua vez, manca de uma, agora manca com a outra, se rasteja pela calçada segurando a sacolinha. Deixa um rastro de sangue, mas conserva um sorriso no rosto.

ARLETE – Ah, ela qué o quê? Quéoquê? Tá pensando que isso aqui é Hollywood, que vai apelar pra efeito especial pra me tirar do sério? Hoje esse pacote de alfazema não me deixa uma casca de batata, uma casquinha de ovo, um pote de maionese, um restinho de suco de groselha respingando no meu degrau, que eu meto bala mesmo, meto chumbo na careca dela!

ROBERTINHO – Meu amor, acho que você está sendo um pouco precipitada.

ARLETE – Precipitada, Robertinho? Precipitada é a Cláudia Leite!

Dá um tiro numa das mãos da senhora, que por sua vez segura a sacola com a outra mão.

ARLETE – Que eu prefiro a Ivete!

Dá um tiro na outra mão. A velhinha se arrasta segurando a sacola de lixo com a boca.

Robertinho, que durante todo o diálogo manteve-se calmo e sereno, por vezes causando uma certa impressão de imbecilidade, fragilidade, falta de atitude e iniciativa; enfim, um certo Q de idiotice, pela primeira vez revela tônus, masculinidade, energia e violência.

ROBERTINHO – Meu amor, você foi longe demais.

Arlete, que durante todo o diálogo manteve-se hiperativa e faladeira, por vezes causando uma certa impressão de mulher-maravilha, poderosa, intensa e geniosa; enfim, um certo Q de cangaceira, pela primeira vez revela susto, medo, inércia e tensão.

ARLETE – Como assim?

ROBERTINHO – Você precisa de uma reciclagem.

Robertinho arranca a arma das mãos de Arlete. Dá um tiro fulminante na mulher, o tiro fatal na velhinha e - frio e calculista - divide os corpos, a seu critério, entre “plástico”, “vidro” e “outros”.

FIM

 

AS MARAVILHOSAS MENINAS MACABRAS em LIXO SELETIVO, de Camilo Pellegrini

Samara
Marisa
Raíssa

Patrícia
Locutor

LOCUTOR- Quando o dia está intranqüilo. Quando a brisa do mar corróe os automóveis. Quando uma nuvem de pombos fedorentos corta o céu, elas estão por perto. Elas são...
AS MARAVILHOSAS MENINAS MACABRAS!!!
Samara... a mais inteligente
Raíssa... a mais bela
Marisa... a mais forte
Elas tem apenas oito anos. Elas estão na segunda série. Elas tiram boas notas. Mas não se deixem enganar. Elas são...
AS MARAVILHOSAS MENINAS MACABRAS!!!
Elas são ricas! Elas são mimadas! Elas já usam creme anti-sinais. Elas já tem um extenso guarda roupa. Elas já enjoaram de maconha. Elas são deusas vivas do capitalismo! Elas são...
AS MARAVILHOSAS MENINAS MACABRAS!!!

MARISA- Por que esse locutor tem voz de baitola?

LOCUTOR- Perdão...?

SAMARA- Deve ser a ressaca do domingo.

RAÍSSA- Ou então alguma coisa enfiada no tóba dele!

As TRÊS riem.

SAMARA- Ai, Raíssa! Uma menina tão fina como você, falando “tóba”!

LOCUTOR- (SEM GRAÇA) – Bem... continuando... estavam as três pimpolhas no colégio golfinho dourado...

MARISA- Saco! Não agüento mais esse colégio de merda. Podíamos matar aula pra ir no shopping.

SAMARA- Ou então algum racha de carros.

RAÍSSA- Eu quero ir no shopping! Preciso comprar pílulas anticoncepcionais.

MARISA- Ué, Raíssa, mas você é virgem. Não é?

SAMARA- E pelo que eu sei você nem menstruou ainda.

RAÍSSA- É que eu li na internet que se a gente tomar uns comprimidinhos o peito cresce mais rápido!

MARISA- Que vaidade boba! Seus seios são lindos.

RAÍSSA- Dois limõezinhos sem graça! Eu quero tetas fartas! Aproveito e já compro um belo sutiã também!

LOCUTOR- Nada disso, meninas. Vão ficar no colégio golfinho dourado com a amiguinha de vocês, Patrícia.

MÚSICA de terror.... As TRÊS apavoradas. PATRÍCIA chega ali toda suja de chocolate.

PATRÍCIA- Oi amiguinhas!!!

MARISA- Droga. Só pode ser o inferno na terra.

LOCUTOR- Comportem-se meninas. Hoje a aula é sobre lixo seletivo e a Patrícia vai apresentar seu seminário.

SAMARA- Puta que o pariu... Alguém tem uma gilete a mão?

RAÍSSA- Tinha uma no meu estojo mas perdi.

PATRÍCIA vai para frente. Enquanto ELA discursa, as MACABRAS falam entre si sem parar.

PATRÍCIA- Queridas amiguinhas. Vamos falar de um assunto muito sério. A poluição no planeta.

MARISA- A começar pela sua cara, né Patrícia.

SAMARA- Poluição visual da braba.

RAÍSSA- Isso sem falar das nódoas nojentas de chocolate na roupa dela.

PATRÍCIA- A Mãe Terra está morrendo. Se nós, as gerações futuras não fizermos algo, nosso querido mundo vai desaparecer!

MARISA- Não inventa, garota!

PATRÍCIA- É sério, Marisa!

RAÌSSA- Se essa vaca gorda sumisse da face da Terra, já era uma boa notícia!

PATRÍCIA- A quantidade de lixo que produzimos logo cobrirá todos os recantos mais puros e cristalinos do planetinha azul.

SAMARA- Só de ouvir a voz dessa garota parece que minha cabeça vai explodir!

MARISA- Quer uns adesivos de nicotina? Roubei da penteadeira da mamãe.

SAMARA- É gostoso?

MARISA- Odinha leve, mas a dor de cabeça some na hora!

SAMARA- Quero sim! Me dá logo uns três!

RAÍSSA- Eu quero também!

SAMARA- Deixa de ser imitona!

RAÍSSA- Você que é uma fominha!

MARISA- Calma! Tem pra todas! Coisa mais vulgar ficar regulando nicotina.

Enquanto PATRÍCIA prossegue, as MACABRAS se entopem de adesivos de nicotina pelo corpo todo.

PATRÍCIA- Por isso é importante dividirmos nosso lixinho, o que pode ser reaproveitado e o que não pode! Metal, plástico, vidrinhos de todos os tipos! Tudo isso é reciclável!

RAÍSSA- Que pena que só vem em retângulo! Podiam inventar uns adesivos mais bonitos!

MARISA- Eu tenho uma tesourinha aqui! Vamos fazer uns formatos!

SAMARA- Eu quero minha nicotina em forma de estrela!

RAÍSSA- Eu vou fazer um coração!

As MACABRAS recortam seus adesivos e continuam colando eles pelo corpo.

PATRÍCIA- Tem também o lixo orgânico, que pode ser reaproveitado como adubo!

MARISA se levanta revoltada, já agitada pela grande quantidade de nicotina em seu corpo.

MARISA- Eu não estou entendendo picas desse seminário!

PATRÍCIA- Como assim? Não entendeu bicas?

MARISA- Picas, querida! Picas com P de Patrícia! O seu nominho você sabe escrever, né ô retardada?

LOCUTOR- Senta, Marisa! E deixa a Patrícia terminar!

MARISA- Porra nenhuma! Quero entender melhor esse lance do lixo! Vamos meter a mão na massa minha gente! (HERÓICA) Vamos reciclar!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

LOCUTOR- Um segundo para nossos comerciais...

LUZ e MÚSICA de comercial... as MACABRAS, cada uma com a sua boneca,

RAÍSSA- Agora você também pode ser uma maravilhosa menina macabra.

SAMARA- Já em lojas de todo Brasil. As bonecas das maravilhosas meninas macabras.

MARISA- Vem com roupinha! Cartãozinho de crédito e laptop.

RAÍSSA- Mas as bonequinhas macabras custam um pouco caro.

SAMARA- Porque pra ser uma menina macabra, você tem que ser...

AS TRÊS - Podre de Rica! Hahahahahaha!!!

LOCUTOR- E agora, com vocês... AS MARAVILHOSAS MENINAS MACABRAS!!! No capitulo anterior, nós vimos que as meninas macabras estavam sedentas por reciclagem.

MARISA com uma enorme lata de lixo. PATRÍCIA um pouco sem jeito.

MARISA- Vamos lá, Patrícia! Mão na massa!

PATRÍCIA- Desculpa, amiguinhas! Eu fiz minha lição de casa direitinho, mas não sei o que você quer de mim com essa lata de lixo!

MARISA- Reciclar, cacete! Isso aqui?! Esse tomatinho podre aqui?! Não dá pra reutilizar?

LOCUTOR- Já falei pra sentar, Marisa!

MARISA- Vai dá ordem pras tuas negas, seu locutor escroto com voz de bicha! Quer que eu chame a minha mãe aqui na escola?! Ela que paga seu salário! O golfinho está dourado é por causa da grana que ela investe nessa merda dessa escola aqui!!!

SAMARA- Apoiada!!! É isso aí, Marisa!!!

RAÍSSA- Muito bem!!! Bota ordem nessa porra! São nossos pais que pagam!!!

PATRÍCIA- Amiguinhas! Vocês estão estragando meu seminário!

MARISA- Estragando nada! Chega de teoria! Vamos logo a prática! Meninas, esse tomate velho aqui, serve pra quê?

RAÍSSA e SAMARA – Recicla!!! Recicla!!! Recicla!!!

MARISA joga o tomate na cara de PATRÍCIA, que começa a chorar.

PATRÍCIA- Vocês não entendem nada! Suas tontas!!!

MARISA- Nossa. Não vou dormir hoje depois que me chamaram de tonta... E essa seringa aqui?! O que a gente faz com ela?!

RAÍSSA- Espeta na mocréia, espeta!!!

PATRÍCIA- Não!!! Socorro!!! Odeio agulha!

PATRÍCIA foge dali.

MARISA- Saco. E agora?

SAMARA- Ainda tem um líquido nessa seringa! Será que dá alguma onda?

MARISA- Vamos experimentar.

SAMARA- Eu falei primeiro! Eu falei! não é justo!

MARISA- Ô egoísta! Toma!

MARISA mete a seringa em SAMARA e injeta o resto da substância.

RAÍSSA- E então? Está sentindo alguma coisa?!

SAMARA- Estou bem legal....

SAMARA cai desmaiada.

MARISA- o que será que tinha ali?! Antes de apagar ela parecia tão feliz.

RAÍSSA- Não sobrou nem um pinguinho. (VÊ) Ai, Marisa, olha o que tem aqui atrás!!!

RAÍSSA vira a lata de lixo, onde se lê “cuidado, lixo hospitalar”.

RAÍSSA- Lixo hospitalar! Será que a Samara sobrevive?

MARISA- Ou ela ou nosso planetinha azul, meu bem. Ninguém falou que reciclar era moleza !

FIM...

 

 

 

 

Interessado em algum texto? Fale diretamente com os autores ou mande um e-mail para contato@dramadiario.com