O ENCONTRO de Renata Mizrahi

No banco, 3 mulheres sentadas olhando pra frente.

Silêncio

Genny: É...
Anita: Hum?
Ivete: Ã?

Silêncio

Anita: Ai...
Ivete: Que?
Genny: Ã?

Silêncio

Ivete se impulsiona pra falar mas não fala nada

Anita se impulsiona pra falar mas não fala nada

Genny se impulsiona pra falar mas não fala nada

Silêncio

Anita Olha pra cima: Iiii!
Ivete para o lado: Aaa!
Anita: pra baixa: Ui!!!

Silêncio

De repente todas as 3 começam a falar ao mesmo tempo

Genny: Vou falar eu não conheço vocês e vou falar! To achando que tão brincando com a minha cara. Só porque eu uso a minha cara de simpática durante o dia a dia, acham que eu sou boba ingênua e brincam comigo. O pior é que eu fui boba e ingênua em achar que poderia chegar aqui e me deparar com alguma coisa. Alguma coisa o que? O que eu to querendo pra mim. To vendo muito filme achando que mágicas podem acontecer em plena cidade nessa porcaria em que vivemos...

Anita; É por isso que eu saí do orkut, é obvio. Me fazem vir aqui, me fazem acreditar em coisa eu chego aqui e não vejo ninguém, além da minha própria cara de babaca estampada no meu rosto pra todo mundo ver.
Depois que me mandam vírus pelo scrap, como eu tive coragem de acreditar no testemunial daquele desconhecido. E se for um estuprador? Ai meu deus. O pior que apesar de tudo isso, eu não consigo tirar a minha bunda desse maldito banco, acho que porque de repente alguma coisa emocionante pode acontecer comigo depois de 25 anos sem nenhuma emoção!
Ainda bem que eu saí do orkut!

Ivete: Eu não quero saber de piedade! Não quero que tenham pena de mim só porque eu acredito nas pessoas! Sim porque eu acredito nas pessoas, sabe?
Eu estou aqui exatamente por causa disso. Sim podem ta pensando que uma mulher como eu não deveria acreditar tanto nas pessoas.. mas e o que eu posso fazer se as coisas que as pessoas me dizem são mais interessantes do que as coisas que eu digo pra mim mesma? Resultado: Eu acredito nas pessoas. E vim parar aqui e não tenho a menor idéia porque alguém poderia fazer esse tipo de brincadeira comigo!

As 3 param de falar e fica só a frase de Anita

Anita: Ainda bem que eu saí do orkut!

Genny e Ivete olham a mulher Anita

Silêncio


Genny: É...
Anita; Hum?
Ivete :Ã?

Silêncio

Anita: Ai...
Ivete: Que?
Genny: Ã?

Silêncio

Ivete se impulsiona pra falar mas não fala nada

Anita se impulsiona pra falar mas não fala nada

Genny se impulsiona pra falar mas não fala nada

S ilêncio

AnitaOlha pra cima: Iiii!
Ivete para o lado: Aaa!
Anita: pra baixa: Ui!!!

Silêncio

De repente todas as 3 começam a falar ao mesmo tempo

Genny: Eu também não tenho orkut. Isso é uma porcaria . Faz você perder tempo... faz você acreditar que tem mais de 300 amigos. Como assim mais de 300 amigos? E porque que eu quero ter 8 amigos com essa vida que eu levo que não tenho tempo pra nada nem pra mim.!
Isso é uma ilusão. Agora vejam só, aquele cara falou que era meu amigo! Aquele cara falou que podia me ajudar, e eu a babaca aqui acreditei. Se eu não tenho orkut pra não ficar me ligando no que dizem, como pude creditar num cara que no meio da rua me para e me diz que nesse banco algo de especial ia acontecer comigo?
Eu não posso estar tão carente assim!


Anita: Não. Se ele fosse um estuprador eu não estaria aqui com essas duas mulheres, ele não ia dar esse mole.. Não. Deve ser um louco, e eu mais louca de ter acreditado nesse louco, o que me faz pensar que eu to precisando ser internada!
Sim, to precisando ser internada, por insanidade mental ou ataque de ingenuidade crônica... Só pode ser isso!

Ivete: Eu gosto do orkut, sim eu gosto do orkut. Principalmente mo meu aniversário! É bom receber um monte de recadinhos tudo no mesmo dia... eu gosto. Agora não gosto que me passem pra trás. Eu vim aqui na maior boa vontade. Depois que aquele cara disse que algo de surpreendente ia acontecer comigo, não resisti.. Sim porque hoje em dia o que de surpreendente acontece com a gente?
Alguém pode me responder?
Muito difícil... mas eu sou uma idiota, porque to aqui há meia hora e além dessas duas moças, nada está acontecendo!


As 3 param de falar e fica só a última frase da Genny em evidência

Genny: Como pude creditar num cara que no meio da rua me para e me diz que nesse banco algo de especial ia acontecer comigo? Eu não posso estar tão carente assim!

Anita e Ivete olham para Genny

Silêncio


Genny: É...
Anita; Hum?
Ivete :Ã?

Silêncio

Anita: Ai...
Ivete: Que?
Genny: Ã?

Silêncio

Ivete se impulsiona pra falar mas não fala nada

Anita se impulsiona pra falar mas não fala nada

Genny se impulsiona pra falar mas não fala nada

S ilêncio


AnitaOlha pra cima: Iiii!
Ivete para o lado: Aaa!
Genny: pra baixa: Ui!!!

Silêncio

De repente todas as 3 começam a falar ao mesmo tempo

Genny: Essas duas aqui não se mancam... não percebem, que eu estou apreensiva. Sim, porque o tal cara deve ter chegado e viu que não tinha espaço no banco,... não consigo pedir pra elas saírem... não tenho coragem...o pior que não tem ninguém na rua, nenhum cara! Se ele não aparecer em três horas eu juro que vou embora !Palhaçada!

Anita: Ela também recebeu um recado... isso é muito estranho.., será que o cara do orkut me confundiu com ela? Mas nós somos tão diferentes...não, deve ser coincidência,... não é possível! Que coisa mais estranha. Coisas estranhas acontecem hoje em dia... ainda! A gente pensa eu não... é porque dão tudo mastigadinho pra gente... aí a gente pensa que coisas estranhas não acontecem... só o fato de eu ter vindo... isso é muito estranho...

Ivete: Bom esse cara que me procurou foi o mesmo que procurou ela, eu não to vendo nada de surpreendente! Deve ser um engraçadinho passando trote em mulheres como eu... imbecis... e essa também, que só pode ser uma imbecil assim como eu! E se ... e se todas tivéssemos sido vítimas de um seqüestro? Será que querem nos seqüestrar? E se fomos as escolhidas? Sim podemos ser as escolhidas! Mas escolhidas de que?
E se porque... porque... porque... E se esse cara que não aparecer?
Será que ele não vem? E se ele não vier o que eu vou ficar fazendo aqui?
Ah! Meu deus!!

As três param de falar e fica só a última frase da Ivete em evidência

Ivete: E esse cara que não aparece! Será que ele não vem? E se ele não vier o que eu vou ficar fazendo aqui? Ah! Meu deus!!!

Anita e Genny olham pra Ivete

Genny: É...
Anita: Hum?
Ivete :Ã?

Silêncio

Anita: Ai...
Ivete: Que?
Genny: Ã?

Silêncio

Ivete se impulsiona pra falar mas não fala nada

Anita se impulsiona pra falar mas não fala nada

Genny se impulsiona pra falar mas não fala nada

silêncio

Genny:Olha pra cima: Iiii!
Ivete para o lado: Aaa!
Anita: pra baixa: Ui!!!

silêncio

De repente todas as 3 começam a falar ao mesmo tempo

Genny: Ele não vem? Eu to começando achar as coisas muito esquisitas aqui! Eu vou falar com elas! Eu preciso falar com elas!
Mas por que eu não tenho coragem? Eu não tenho coragem! Eu tenho coragem de me arriscar nesse maldito banco e não tenho coragem de perguntar pra essas duas o que elas estão fazendo aqui.!

Anita: O que essa duas estão fazendo aqui... ficam falando o tempo inteiro, gente maluca! Não lêem um livro, na fazem uma palavra cruzada! O quer ta acontecendo? E tão esperando alguém assim como eu, isso ta muito claro! Se essas duas não se retirarem em exatamente quatro horas, eu é que vou me retirar. Não vou me prestar pra essa palhaçada mais que isso. O que é isso pensam que eu não tenho que fazer? E se esse cara não me explicar por que marcar nesse banco comigo sem motivo aparente, em cinco horas eu me retiro de vez!

Ivete: É acho que ele não vem... eu vou embora então, em exatamente dentro de seis horas eu me retiro e vou deixar essas duas loucas aí . Elas com certeza estão esperando alguém assim como eu... e se por divina coincidência for a mesma pessoa eu vou rir muito da cara delas , vou rir muito Há! Há! Há!... é bom rir! Há ha há! É bem bom....


As 3 param de falar e fica só a última frase da Anita em evidência

Anita: E se esse cara não me explicar por que marcar nesse banco comigo sem motivo aparente,
em cinco horas eu me retiro de vez!

Genny: Eu também!

Ivete: Eu também!

Silêncio- elas se olham

Genny: É...
Anita: Hum?
Ivete :Ã?

Silêncio

Anita: Ai...
Ivete: Que?
Genny: Ã?

Silêncio

Ivete se impulsiona pra falar mas não fala nada

Anita se impulsiona pra falar mas não fala nada

Genny se impulsiona pra falar mas não fala nada

silêncio

Genny:Olha pra cima: Iiii!
Ivete para o lado: Aaa!
Anita: pra baixa: Ui!!!

silêncio

As 3 falam juntas exatamente igual.

Genny,Anita e Ivete: Eu tenho que falar com elas que elas estão atrapalhando o meu compromisso! Será que elas não percebem ? Será que elas não tem “se mancol”... elas ficam falando que nem umas loucas... o pior é que eu tenho certeza que esse maldito cara que marcou comigo, é o maldito cara que marcou com elas! Só pode ser! Como isso se explicaria , então?
E por que esse cara não vem?
O que esse cara quer comigo? Comigo? Comigo? Eu? Eu? Eu?

Silêncio.

Genny,Anita e Ivete: eu não sou palhaça...

Silêncio

Genny,Anita e Ivete: Não sou..

Silêncio

Genny,Anita e Ivete: Tão pensando o que? O que?

Silêncio

Genny,Anita e Ivete: Deve ter acontecido algo... (elas dão a entender que alguém está vindo)... Oh!!

Silêncio, se olham

Genny,Anita e Ivete: Será que ... Oh!!!!

silêncio

Genny,Anita e Ivete: (Vendo algo se aproximar) Oh!!!

Se olham. Olham pra frente. Cara de muita surpresa, exagero

Fecha a luz


Fim


ALGUÉM CHOROU EM BANGKOK por Larissa Câmara

Personagens:

Homem

Mulher

Garçonete

A cena se passa em uma cafeteria em Bangkok. Um homem e uma mulher jovens observam o mesmo quadro “vermelho sangue” em uma cafeteria. Num certo instante os olhares deles se cruzam. Mulher pega o café no balcão e senta. Homem bebendo água no balcão observa a Mulher. Homem pega sua garrafinha de água e se aproxima da mesa da mulher que está sentada bebendo café.

Homem: Oi!

Mulher faz um aceno de cabeça e mexe o café.

Homem: O café daqui é muito bom! Eu não bebo café. Não posso. Tenho insônia.

Mulher olha para o Homem e bebe um gole de café.

Homem: Eu estou aqui porque senti que precisava falar com você.

Mulher olha fixamente para o Homem, abaixa a cabeça e bebe um gole de café.

Homem: Eu preciso falar com você. A vida está repleta de possibilidades... E quando eu olhei para você eu senti um aperto forte... Não sei explicar... Você acredita em acaso?

Mulher mexe o café.

Homem: Destino?

Mulher assopra o café e bebe um gole.

Homem: Coincidência?

Mulher coloca os dedos no açúcar que está no pires e coloca os dedos açucarados na boca.

Homem: Eu sei que você me entende. Eu sinto. Eu poderia ficar a tarde toda conversando com você. (Derruba sua garrafinha de água na mesa. A água molha a roupa da Mulher que levanta. Homem pega guardanapos para secar a mesa e a roupa da mulher. Enquanto homem seca a roupa da mulher os dois se olham profundamente. Sentam-se.)

Homem: (suspira) Você acredita em alma gêmea? Acredita que é possível encontrar o grande amor da sua vida num piscar de olhos? (pausa. Olha para o relógio) Eu tenho que ir (pega papel e caneta) Aqui está meu telefone. Por favor, ligue para mim. Quero ter uma conversa longa. Vamos falar sobre a vida, sobre o amor... Quero ter uma conversa longa e prazerosa com você. (entrega papel para a Mulher) Sei que esse encontro não é apenas uma feliz coincidência. (Coloca a mão sobre a mão da Mulher. Enxuga lágrimas discretamente e sai da cafeteria)

Mulher acompanha a trajetória do homem com o olhar. Olha o papel. Faz um sinal chamando a garçonete.

Garçonete: (fala com sotaque tailandês) Can I help You?

Mulher: (falando japonês) Eu ganhei esse papel. Eu não entendi quase nada do que ele disse. Ele disse coisas que não estão no meu dicionário. Eu falo muito pouco a língua dele.

FIM

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TE CONHEÇO DE ALGUM LUGAR de JULIA SPADACCINI

Ela caminhando pela praia, ele vindo na direção contrária distraído.

Ela o vê. Ele não percebe e passa. Ela o chama.

Ela – Paulo!

Ele – Como?

Ela – Sou eu.

Ele – Eu...

Ela – Elisa.

Ele – Elisa...

Ela – Elisa do colégio!

Ela dá um abraço nele que fica desconcertado. Ele se desvencilha sem graça.

Ele – Ah, oi querida!

Ela – Que coincidência!

Ele – Coincidência?

Ela – Estava pensando em você!

Ele – Olha que coisa não...

Ela – Estava pensando no dia que a Karen tropeçou no meio da apresentação do colégio.

Ele – E eu?

Ela – Como?

Ele – Você disse que era uma coincidência...

Ela – E não é?

Ele – Coincidência seria se você tivesse encontrado a Karen.

Ela – Mas, Paulo, não é muita coincidência pensar no nosso grupo de teatro e justamente te encontrar.

Ele – Não.

Ela – Não?

Paulo fala para si.

Ele – Não acredito que estou, de novo, sendo figuração de uma coincidência.

Ela – Como?

Ele – Você quase teve uma quase coincidência e eu sou um figurante nela.

Ela- hein?

Ele- Onde eu estava dentro da sua coincidência?

Ela – Como assim onde?

Ele – Quando a Karen tropeçou.

Ela – Acho que na platéia.

Ele – Que fila?

Ela – Sei lá... a última.

Ele – Tá vendo! Lá atrás da cena principal!

Ela – Que bobagem é essa, Paulo???

Ele – Não é bobagem! Sabe o que é passar a vida fazendo parte da figuração das coincidências alheias???

Ela – Não tô entendendo...

Ele – Sempre que alguém diz que te encontrou por coincidência estava pensando exatamente em você????

Ela – Acho que sim!

Ele – Então você não sabe o que eu tenho passado.

Ele – O que?

Ele – E quanto mais o presente se torna passado, mais coincidências em que faço pequenas participações acontecem. Outro dia, o pipoqueiro da minha rua, me encontrou e disse: Nossa que coincidência, estava pensando na primeira vez que me apaixonei.

Ela – Mas o que isso tem a ver?

Ele – Ele se apaixonou pela minha ex-mulher.

Ela – Nesse caso você foi promovido a coadjuvante das coincidências.

Ele – Eu ainda não era casado com ela...

Ela – Poxa...

Ele – Mas isso ainda não é o pior...

Ela – Não??? O que poderia ser pior do que não ser lembrado por ninguém???

Ele – Ser protagonista de coincidências erradas.

Ela – Meu Deus!

Ele – Isso mesmo. Dezenas de pessoas dizem que me conhecem de algum lugar. Que já devem ter estudado, trabalhado ou tomado banho de cachoeira em Mauá comigo...

Ele – E aí?

Ele – Não tem jeito... elas insistem tanto que eu acabo aceitando o papel e quando vejo já estou jogando damas na casa da avó de alguém em 1970...

Ela – Olha eu não sabia mesmo desse seu problema...

Ele – Pois é, pouca gente sofre desse mal... normalmente pessoas que não fizeram Ed. Física.

Ela – Engtaçado... eu não me lembro se fiz Ed. Física.

Ele- Quem fez normalmente não lembra que fez, mas quem não fez tem certeza.

Ela – Mas o que a Ed. Física tem a ver com isso tudo?

Ele – Ninguém se lembra de quem ficou no banco fazendo relatórios em vez de participar...

Ela – Eu me lembro de uma menina que sempre fazia relatórios.

Ele – Ela sentava sempre com a mão no queixo?

Ela – Sim.

Ele - Usava uma caneta Bic 24 cores?

Ela – Isso mesmo! Você lembra dela?

Ele – Não era ela...

Ela – Não?

Ele – Era eu!

Ela – Nossa...

Ele – É.

Ela – Olha, desculpa mesmo. Juro que vou começar a pensar mais em você.

Ele – Não vai conseguir.

Ela – Vou sim. Prometo.

Ele – É... se você pensar em mim todos os dias talvez eu possa mudar de personagem.

Ela – Que tal o protagonista?

Ele – Impossível.

Ela – Quer jantar comigo hoje?

Ele- Onde?

Ela – Deixa pensar... ah! Já sei! Naquele restaurante que a turma da gente sempre ia!

Ele – Eu nunca fui...

Ela – Como não? Você sempre sentava no final da mesa e a gente brincava que você ia pagar a conta.

Ele – Não era eu...

Ela – Peraí... você não é o Paulo???

Ele – Não. Desculpe, mas é que você falou com tanta certeza que acabei fazendo o papel de novo. Não consigo parar.

Ela – E quem é você?

Ele – Jorge.

Ela – Jorge... engraçado, mas eu te conheço de algum lugar...

Ele sai correndo sem se despedir e fica uma semana em casa, debaixo das cobertas.

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GENESIS: WANDA VS. ZUMBI de Camilo Pellegrini

WANDA usa uma fantasia sensual de coelhinha. ZUMBI veste uma roupa antiquada e velha, sua carne está em decomposição.

NARRADOR- Wanda passou a tarde vendo dvds. Ela viu “Madrugada dos Mortos”, ela viu “Uma noite Alucinante”. Agora, já com sua roupa de trabalho ela pisa pela primeira vez na boate Shampoo. Será que Wanda irá sobreviver?

W- Sr. Zumbi? Sr. Zumbi???

Z- Alguém me chamou???

W- É o senhor? É o senhor mesmo???

Z- Zumbi vem a ser eu mesmo. Que prazer inenarrável conhecê-la. E o seu nominho, princesa?

W (A parte.)- Eu achando que Zumbi fosse um negão de dois metros de altura, com tranças caindo pelos ombros, corpo atlético, pele com o negrume da noite, talvez campeão de capoeira. (Pra ele.) Eu sou Wanda, mas espera! Espera!

Z- Espera? Mas esperar o quê, gracinha?

W- Não fala nada! Nada! Fica calado aqui. É só um segundo! Por favor!

Z- Eu faço tudo que a senhorita me mandar. Hum... que cheiroso!

W- O que você disse?

Z- Cheiroso?

W- Cheiroso, você disse???

Z- Foi, cheiroso...

W- Ah! Que ótimo! É um perfuminho que eu uso! Dá pra sentir??? Dá pra sentir meu perfuminho???

Z- Eu sinto um cheirinho que eu adoro!

W- Que maravilha! É bom mesmo o produto então! A vendedora me garantiu que era tiro e queda e nós aqui no meio dessa fumaceira toda! Tanto cigarro. Tem até uns puxando um fuminho ali atrás. Impressionante você ter notando. Que bom que você gostou, Zumbi.

Z (a parte.)- Não foi do perfuminho que eu gostei, foi do cheirinho dos teus miolos suculentos, gracinha, é cérebro que tem esse perfume assim, gostoso, ai meu Deus que larica...

W- O senhor está bem?

Z- Tô com uma larica assassina.

W- Então já posso começar? Lá vai heim?

Z- Vem com tudo, cheirosa (a parte.) Eu gosto dessas assim, que usam cotonete, couro cabeludo bem limpinho.

(Número Musical de Wanda de feliz 145 anos pra Zumbi.)

Z- Meu Deus! Eu havia me esquecido! Hoje é meu aniversário!

W- Feliz aniversário querido amigo, boníssimo companheiro, vamos cantar todos juntos, pro Zumbi nada!!!

TUDO!!!

W- então como é que é??? É pique é pique....

Z- Eu tinha me esquecido.

W- Ainda bem que o senhor tem amigos. A vida é muito dura sem amigos.

Z- Alguém lembrou, mas quem foi???

W- Achei que o senhor soubesse...

Z- Quem poderia ter me armado essa surpresa?

W- Era voz de mulher.

Z- Voz de mulher? Mas quem? Qual terá sobrevivido?

W- Poxa vida, tem bilhete. Tinha me esquecido do bilhete.

Z- Graças! Com bilhete fica tudo muito mais fácil. Deixe-me lê-lo.

W- Ufa! Não sei o que seria de mim se eu não lembrasse do bilhete! Se a mulher ficou lá horas me ditando o bilhete!

Z- Me dê esse bilhete aqui!!!

W- Calma! Afaste-se! É minha função lê-lo pra você em voz bem alta, com toda uma dicção! Por favor!

Z- Eu quero saber quem foi a bruaca! Me dê esse papel!

W- Controle-se Sr. Zumbi. Eu sei que o senhor deve estar muito emocionado e coisa e tal, mas não me obrigue a usar a força. Compreendeu? Chegue um pouco mais pra trás e me deixe fazer valer o meu salário. Lá vai (Lendo a carta ela se transforma em Naraiana.) Querido Zumbi, como eu posso expressar em palavras o prazer de ter te encontrado aqui no Rio de Janeiro?

Z- Naraiana???

W- Depois de cavucar cada cidadezinha das redondezas do vale do café, encontrar você na metrópole foi uma surpresa. Eu só queria te dizer que mesmo depois de você ter mordido o meu rosto, ter mastigado a minha sobrancelha na minha frente, fincado os dentes no meu crânio, apesar de tudo isso, eu não te odeio. Eu não sinto nada, na verdade. Talvez o naco de cérebro que você me arrancou fosse o responsável pela emoção, não sei. Mas o que eu te digo é da mais profunda sinceridade. Hoje eu sou uma velha deformada e vingativa, mas eu te digo, é o tédio que me move. O tédio.

Z- Naraiana???

W- Isso é tudo. Descobriu?

Z- Naraiana...

W- É isso mesmo!!! Parabéns! Tá escrito mesmo aqui em baixo, Naraiana. Você gostou da minha performance?

Z- Muito parecida com ela, muito parecida.

W- Obrigada. Ela me ensinou pelo telefone. Que bom que o senhor gostou.

Z- É você a Naraiana! Ta igual!!! Foi nisso que você se transformou? Confessa!

W- Não, não. Eu sou Wanda. Não confunda Wanda atriz com Naraiana personagem.

Z- Me desculpe, moça. É que a voz ficou tão parecida... o jeito de falar...

W- Eu sou boa. É como eu disse prum amigo meu. Não Vá dormir com a Wanda e acordar com a Naraiana, ou era o contrário?

Z- Eu me descontrolei. Então Naraiana, viva! Depois desses anos todos!

W- Ela está bem viva.

Z- E ainda pensa em mim. Me odiando. Quantos anos ela deve ter hoje? Oitenta?

W- E muito rica. Pode ter certeza.

Z- Ah, é? E tá te pagando bem?

W- O justo. Eu cobro o justo.

Z- Como eu fui louco por ela, Wanda, se você soubesse. Completamente apaixonado. Que mulher inteligente! Eu gostos dessas. Eu gosto dessas que tem cérebro.

W- Eu imagino.

Z- Antigamente as mulheres eram tão diferentes. Essas meninas de hoje não valem o peido de uma piranha. Não tem nada na cabeça.

W- Você tá... Você tá me colocando nesse bolo aí?

Z- Que bolo?

W- Esse bolo das meninas sem cabeça? Eu tenho muita cabeça, viu, meu chapa. E eu não nasci em 1912 mas eu sei um truque ou dois.

Z- Não, minha filha! Não tô falando de você não. Tá achando que o planeta corre em volta aí do teu umbiguinho? Porra! Me deixa pensar aqui um pouco! Fica buzinando, buzinando. Acabei de receber uma notícia, porra! Pára de pensar só em você, caralho! As pessoas tem sentimentos.

W- Como e grosso!!!

Z- Ah, garota! Vai plantar piroca na casa do caralho! Some da minha frente!!! Ainda vem na minha frente imitar essa vadia!!! Imitando a voz da vadia como se fosse ela! E bem no meu aniversário!

W- Olha aqui, rapaz...

Z- Foda-se!!! Vai se foder!!! Essa vaca dessa Naraiana já devia tá morta, enterrada.

W- Ela está muito viva, queridinho. E eu estou aqui para cumprir com os interesses dela, não me faça ir até aí calar essa tua boca.

Z(Grosseiramente sexual.)- Vem meu anjo. Vem aqui calar a minha boca, vem.

W- Eu vou sim. Olha só o presente que a Naraiana quer dar prá você. Ela insistiu muito pra eu trazê-lo. (Saca sua enorme pistola.)

Z- O quê??? Sua embusteira!

W- Não chame de embuste, meu querido Zumbi. Chame de tédio. É o tédio de Naraiana que vai me deixar rica.

Z- Você nunca conseguirá me deter, Wanda! Nunca!

W- Mas se a melhor parte é justamente a caçada!

NARRADOR – Wanda caçará Zumbi por muitos anos. Eles adentram a pista de dança, os tiros se confundido com a batida... Ai... tanta vingança me deixou um pouco deprimida. Que bola baixa. Vamos animar isso aqui? Bem que agora podia acontecer um strip tease!!! Um strip, pelo amor de Deus!!!

 

 

 

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