ESTAMOS DE FÉRIAS!
Até lá, vocês podem reler as cenas dos seus temas preferidos em nosso arquivo!
Fotógrafo/artista: Topical Press Agency / http://www.gettyimages.com.br/
E deixem aqui sugestões de temas para o segundo ano. Aguardem as novidades!
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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009ESTAMOS DE FÉRIAS!Voltamos em fevereiro! Até lá, vocês podem reler as cenas dos seus temas preferidos em nosso arquivo! Fotógrafo/artista: Topical Press Agency / http://www.gettyimages.com.br/
Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008CARTA AO MEU CARO AMIGO de Felipe Barenco Morro dois irmãos, primeiro de maio.
Meu caro amigo, Onde é que você estava? Me deixe mudo a voz do dono, o dono da voz. Você não ouviu, logo eu? Tempo e artista. Desencontro, desalento. Valsa brasileira, valsinha, samba de Orly, um chorinho, xote de navegação. Cantando no toró qualquer canção. Meu refrão: Estação derradeira, sinal fechado. Construção, fortaleza. Cordão, corrente. Mar e lua, lua cheia. Passaredo, chão de esmeraldas. Apesar de você... O que será, será que Cristina volta? As minhas meninas, uma menina. (Cadê você – Leila XIV?) A noiva da cidade, a mais bonita, ela é dançarina. Outra noite, umas e outras. A Rita ninguém sabe, ela desatinou! Essa moça tá diferente... Madalena foi pro mar, Iracema voou. Ela e sua janela. Noite dos mascarados – festa imodesta! Pedro Pedreiro, Juca, Ilmo sr. Ciro Monteiro, pivete. Homenagem ao malandro, Geni e o Zepelim! Trapaças pelas tabelas. Carolina, Nicanor; a ostra e o vento. Romance, futuros amantes! Vida, roda viva. Funeral de um lavrador... O velho, o velho Francisco, gente humilde! Pois é... Todo o sentimento. Acalanto para Helena, assentamento. A permuta dos santos. Agora, falando sério. Até pensei, sem pensei, sem fantasia: as vitrines, bastidores, as cartas. A banda! Bom tempo cotidiano.... a televisão, o futebol, copo vazio, piano na Mangueira. Retrato em branco e preto, a foto da capa. Fica. Mil perdões! Amanhã ano novo, basta um dia sem compromisso (filosofia). Súplica. Lágrima. Tanta saudade, tanto mar. Tanto amar. O meu amor... feijoada completa: suburbano coração, choro bandido, amor barato. O filho que eu quero ter, o meu guri, pedaço de mim. Cio da terra. Tatuagem. (Fantasia: pequena serenata diurna) De volta ao samba. Tem mais samba! Samba e amor, samba do grande amor. Quem te viu, quem te vê... Na ilha de Lia, no barco de Rosa. Cecília, Benvinda, Januária, Bárbara, Lígia, Angélica, Lola... A Rosa.... biscate. Olha Maria, aquela mulher, não fala de Maria! Cálice. Trocando em miúdos: Almanaque, bolsa de amores, linha de montagem! Ludo real. Mano a mano, cara a cara, olhos nos olhos. Acorda amor, cuidado com a outra! Deixe a menina! Cala a boca! Tire as mãos de mim, você não sabe amar. Vai trabalhar vagabundo! Até segunda-feira, injuriado, cobra de vidro! Boi voador não pode. Morena dos olhos d´água, morena de Angola. Joana Francesa... Ana de Amsterdã... Mulheres de Atenas: não existe pecado ao sul do equador! Bye, bye, Brasil! Realejo tema dos Inconfidentes. Fado tropical! Baticum brejo da cruz, olê, olá! Bancarrota Blues! Vence na vida quem diz sim, Deus lhe pague! Mulher, vou dizer o quanto te amo, a mim e a mais ninguém! Sonho de um carnaval. Sonhos sonhos são... não sonho mais. Você vai me seguir rosa-dos-ventos, moto-contínuo. Minha história para todos. Sobre todas as coisas, de todas as maneiras. Até o fim. Com açúcar e com afeto, Eu te amo. Uma palavra: vai passar como se fosse a primavera. Já passou! Homenagem a Chico Buarque de Hollanda. Texto dedicado a Joana Lebreiro e Kelzy Ecard. Feliz Ano Novo a todos que acompanharam nossos dramas diários com tanto carinho! Domingo, 28 de Dezembro de 2008MANUAL PRÁTICO PARA A COMPREENSÃO DO MUNDO (EM CINCO PASSOS), de Rodrigo Nogueira Natal lembra um monte de coisas. E rever o mundo é uma delas. Minha cena dessa semana é pra ser encenada por você que está lendo agora. Eu sei que é difícil (nunca disseram que ser ator é fácil). Mas se você fizer pelo menos uma das ações propostas na cena já tá valendo. Vamos tomar coragem e sentir... quer dizer, "compreender" o mundo? (pode começar amanhã, segunda-feira)
1 - Após acordar, escove os dentes usando a sua mão esquerda (no caso de destros), a sua mão direita (no caso de canhotos) ou um de seus pés (no caso de ambidestros). 2 - Ao sair de casa, pare perto de um banco de sua casa. Cantarole uma antiga canção de ninar para o segurança. 3 - Depois de pagar por suas compras, agradeça ao caixa do supermercado com um beijo de esquimó*. 4 - Faça uma marca de pé no teto de sua sala e chame uma visita. Observe sua reação. 5 - Assista a um filme de trás para frente e, em seguida, narre-o para alguém. *Glossário Beijo de esquimó: demonstração afetuosa em que dois seres dotados de órgão olfativo externo encostam repetidamente seus respectivos nasais através de sucessivos movimentos de cabeça da direita para a esquerda. Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008IRRITANDO FERNANDA JUNG EM “O ÚLTIMO NATAL DE HAROLD” de Larissa Câmara (Estúdio do programa. Fernanda sendo maquiada antes de mais uma entrevista.)
Maquiador: (segurando a cabeça de Fernanda com violência) Meu amooorrr! Olhe para cima se não quiser entrar para o time das caolhas do natal. Fernanda: Eu estou nervosa. Entrevistas internacionais colocam meus nervos a flor da pele. (mostra para o maquiador as veias do braço pulsando). Maquiador: Agora vamos dar uma animada com o blush! Você vai ficar bem coradinha! Vamos dar uma luz, uma cor para essa pele linda! Olha só que natalina!(olha para o braço de Fernanda e começa a gritar) Ah! Ah!Ah! Fernanda: O que é isso? Não faz o louco! A entrevista já vai começar! Maquiador: Ai, meu amooorrr! Mil desculpas! Tem uma coisa horrível se mexendo no seu braço. Fernanda: (mostrando o braço) No meu braço? Maquiador: Ali, ali! Ah! Ai, meu Deus que nojo! Que nojo! Quando bati o olho pensei que fosse um hematoma, depois achei que era uma lacraia! Mas, percebi que o troço tinha uma boquinha. Ah! Fernanda: Aonde? (no braço de Fernanda uma tatuagem grande começa a se mexer) Maquiador: Ah, Credo! Aaaaaaaaaaaah! (desmaia) (inesperadamente, ouvimos um som gutural estranho, uma espécie de bocejo) Fernanda: Ai, Maxwell! Quantas vezes eu já pedi para você não assustar as pessoas! (Maxwell responde do braço de Fernanda) Maxwell: Você não pode fazer isso! Fernanda: Isso o quê? Maxwell: Essa entrevista internacional. Fernanda: Matar o maquiador é um jeito bem prático de impedir uma entrevista. (pausa) Eu não sei! Não sei aonde eu estava com a cabeça quando permiti que aquele maldito hindu fizesse com aquele martelinho e uma agulha de bambu uma tatuagem que representasse a voz da minha consciência, você - Maxwell. Maxwell: Fernanda, eu sou apenas um conjunto de sangue coagulado e pigmentos, mas eu tenho sentimentos. Não precisa me ofender. Você não está preparada para essa entrevista. Fernanda: Ah, é? Quem é você para me dizer isso? Maxwell: A voz da sua consciência Fernanda: Como você é arrogante, Maxwell. Eu devia ter dado outro nome para você. Aposto que se você chamasse Zezinho iria refletir antes de emitir a sua opinião. (Maxwell faz um muxoxo magoado) VOZ OFF: 3 segundos para entrar no ar. (Fernanda pára de falar com Maxwell se ajeita na cadeira. O programa entra no ar.) Fernanda: Boa Noite! Sejam bem-vindos a mais um Irritando Fernanda Jung! Hoje será nossa primeira entrevista por vídeo conferência. Dia 24 de dezembro diretamente de Londres falaremos com o dramaturgo Harold Pinter! Se quiser me irritar mude o canal! Voltaremos após o break. (vinheta do comercial. Confusão no estúdio. Barulho e desespero.) VOZ OFF: Fernanda, acabamos de saber que... Harold Pinter morreu! Fernanda: O quê? (atônita) E agora Maxwell o que é que eu faço? Maxwell, Fale comigo! Eu não posso ser ignorada pela voz da minha própria consciência num momento de desespero! Maxwell! Maxwell: Você vai pedir desculpas! Fernanda: Mil desculpas, querido! Eu fui rude com você. Maxwell: Desculpas aceitas. O que você quer que eu faça? Fernanda: Quero que você me ajude. Meu entrevistador morreu, Maxwell! O que eu devo fazer. Maxwell: Fernanda, hoje é noite de Natal. Siga a voz do seu coração como se você fosse um rei mago seguindo a estrela de Belém. VOZ OFF: 3 segundos para entrar no ar. Fernanda: Boa Noite! Sejam bem-vindos a mais um Irritando Fernanda Jung! Hoje faremos uma homenagem ao dramaturgo Harold Pinter, que infelizmente acabou de falecer. (longa pausa) Na minha última viagem de avião, eu sentei na janela. Detesto sentar na janela porque dependo da boa-vontade de outras duas pessoas para poder ir ao banheiro. Mas, resolvi aceitar meu novo lugar. O avião decolou e eu fechei os lhos. Quando abri os olhos vi o pôr-do-sol mais bonito de toda a minha vida. Tive vontade de fotografar, mas para fazer isso eu precisaria ligar o meu celular e isso derrubaria o avião. Então, resolvi apenas admirar o pôr-do-sol mais bonito de toda a minha vida e guardá-lo no meu coração. Pisquei e ao olhar novamente a imagem, eu me encontrava no lugar do deserto, no nada. Lá nada mais seria possível além de uma chance para que eu encontrasse comigo mesma. (pausa) Esse texto não é do Harold Pinter. Esse texto é meu. Que o natal seja uma chance para o reencontro com nossos afetos e desejos. Que o ano novo seja uma chance de recomeçar. Que tudo seja feito com todo o amor sempre! Um Feliz Natal! Boa Noite! (O programa sai do ar. As luzes do estúdio se apagam. A equipe aplaude e se abraça emocionada. O maquiador desperta com o som dos aplausos e também é abraçado. Fernanda sozinha sentada na cadeira do programa) Fernanda: Você tinha razão, Maxwell. Eu não estava preparada para Harold Pinter. Maxwell: Você foi muito bem, Fernanda. Fernanda: Jura? Me achei meio cafona e didática. Maxwell: Está tudo bem, querida. O final do ano deixa a gente emocionado e cafona. (debocha) Tem coisa mais cafona do que se debater em ponta de estoque de fim de ano? Fernanda: (sorri) Obrigada, Maxwell! (Abraça o braço emocionada) Feliz Natal! Maxwell: Feliz Natal! FIM Minha despretenciosa e singela homenagem a Harold Pinter. FELIZ NATAL! Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2008HO, HO, HO! de Julia Spadaccini João - O que você ganhou de Papai Noel?
Manuel – Papai Noel não existe, idiota. João – Idiota é quem fala. Manuel – Você fala, então é idiota. João – Não, idiota. Idiota é quem fala idiota. Manuel – O que? João – O que o que? (...) Quem disse? Manuel – Quem disse o que, cabeça de bagre. João – Que Papai Noel não existe. Manuel – Meu pai. João – E tudo o que o seu pai diz é verdade? Manuel – Claro que é, mico fedido. João – E o que o meu pai diz também é verdade? Manuel – Os pais sempre sabem a verdade. João – Tem certeza? Manuel – Claro que sim, mamute. João – E você não fica triste? Manuel – Do que? João – De papai Noel não existir? Manuel – Não. Eu sou uma criança bastante adulta para acreditar em coisas que não existem. João – Então, o seu pai e o meu pai sempre dizem a verdade? Manuel – Sempre, catarro podre. João – E você não fica triste. Manuel – Já disse que não, ovo nojento. João – Não fica triste de saber que sua mãe é uma galinha? Manuel – Quem te disse isso? João – Meu pai. E os pais nunca mentem. Longa pausa. Manuel coça a cabeça e em seguida responde. Manuel – Talvez a rena do nariz vermelho exista... João sorri satisfeito. Fim Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2008ESPECIAL DE NATAL da série Kid Bauhaus de Jô Bilac (Kid tomando cerveja com Tina, na varanda de seu apartamento)
Kid: O que tem de especial nesse natal? Continuo sem um puto no bolso, dura que nem coco. Matando cachorro a grito. Tina: Ih, Kid. Tá chata! Kid: Chata, uma pinóia. O sistema capitalista faz a gente querer mais do que podemos ter e se não temos, um vazio aterrador se instaura em nossa alma e tudo perde o sentido e beleza, percebe? Tina: Tá deprê. Kid: Eu não tô deprê. Tina: Kid Deprê. Kid: Pára com isso... Tina: Deprê total. Kid: Talvez eu esteja meio deprê. Numa bad trip de leve. Coisa do final de ano. Ficamos mais reflexivos. Fazendo um balancete. E no meu balancete saí devendo. Tina: Foi um ano bom. Não posso reclamar. Kid: É... Mas eu queria estar agora numa ilha da Grécia e não aqui com você bebendo cerveja, entende? Nada contra você, amiga. Tina: Sim. Entendo, claro. Eu queria estar em Paris, ao lado de um francês charmoso recitando poesia pra mim... Ia ser lindo. Mas o lugar mais sofisticado que já fui, foi Cachoeira de Macabú. E ainda assim, foi com o Edson. Lembra do Edson? Erro total. Deleta! Kid: O Edson era amigo do Mauro? Tina: Exatamente. Kid: Eu namorei o Mauro. Tina: Eu sei disso. No natal passado você me telefonou da delegacia porque o Mauro havia sido preso por porte de drogas dentro na fantasia de Papai Noel. Kid: Menina... É verdade. Que horror... Hahhahahahahahaha Um calor do inferno, o Mauro de Papai Noel, e eu tentando convencer os tiras da minha inocência... Nunca mais vi o Mauro... Tina: Ele era bonitão. Kid: Era. (grita) Ai! Que saco! Estamos feito duas velhas saudosistas, que relembram coisas traumáticas ainda por cima! Tina: É mesmo... Kid: Vamos mudar esse natal. Tina: Como? Kid: Eu tenho uma idéia. (uma hora depois, na Lagoa Rodrigo de Freitas) Tina: Ai Kid, você acha mesmo que é uma boa idéia roubarmos uma bola de natal da árvore da Lagoa...? Ai amiga, tô com medo... Kid: Aventura, amiga! Onde está seu espírito natalino? Tina: Amiga, você passou seu outro natal na cadeia, quer repetir a dose nesse? Kid: Tina Basset! Me escuta: Uma bola dessa vale uma fortuna. A gente vende no mercado ilegal e descola uma grana. Daí, passamos o ano novo em Trancoso, bebendo drinque dentro do abacaxi. Tina: Adoro drinque dentro do abacaxi! Acho digno. Quando vem com guarda-chuvinha , então, acho um luxo! Kid: Pois é, carinha gorda! Se a gente não se arriscar, vamos passar mais um ano espremidas em Copacabana, pegando chuva e comendo areia. Você quer comer areia? Tina: Eu não quero comer areia! Kid: Quer brindar com sidra cereser? Tina: Isola! Fico toda arrepiada! Kid: Quer ver gente pegando santo na virada do ano? Tina: Tá amarrado. Kid: Quer ficar duas horas e meia, dentro de um ônibus lotado pra voltar pra casa, começando o ano já na batalha? Tina: Ok, Kid, já concordei contigo, chega. Vamos pegar essa bola de uma vez! Kid: O lance é prático. Eu pego um pedalinho e você pega outro. Estamos passeando normalmente pela Lagoa, normal. Daí você cai na água e simula um afogamento. Chama bastante atenção. Nessa hora, enquanto todos estiverem ocupados em te salvar, eu estarei roubando uma bola da árvore. Tina: Ih... Não sei não. Por que eu é que tenho que cair na água? Kid: Porque você é atriz! Saberá simular brilhantemente, sem que ninguém desconfie de nada... Tina: É verdade, sou muito boa atriz. Kid: Você é salva e quem sabe até paquerada pelo seu salvador. A gente despacha a bola na internet e compra a nossa passagem pra Trancoso! Tina: Viva a Bahia! ( Assim como o plano, Kid e Tina pegam um pedalinho cada uma e vão passear pela lagoa iluminada. Kid dá o sinal. Tina cai na água.) Tina: Socorro! Socorro! (ninguém vai salvar Tina) Tina: Kid! Socorro! Tô me afogando de verdade! Kid: (do pedalinho) Sua burra! Porque você não me disse que não sabia nadar?! Tina: (se debatendo dentro d’água) Uma boa atriz nunca empoe barreiras a um personagem! Socorro! Kid: Espera só mais um minuto! O vigilante da árvore vai te salvar! Tina: Kid! Eu vou morrer afogada até lá! Kid: É bom, fica mais real! Tina: Socorro! (ninguém aparece, Kid pula na água e salva a amiga. As duas saem ensopadas da Lagoa) Tina: (Deitada na calçada, colocando água pra fora) Amiga, você salvou a minha vida... Kid: (tirando resíduos de vegetação do cabelo) Sei não, Tina. Essa água tá tão suja , que é capaz da gente pegar uma ziquizira pra fechar o ano com chave de ouro! (tempo) Tina: (tossindo) Trancoso nem é tão legal assim... Kid: (triste) Verdade. E Bahia é bom no carnaval... Tina: E Copacabana é internacionalmente conhecida. Não tem sentido a gente sair daqui, quando o mundo inteiro ta afim de vir pra cá... Kid: Verdade... E o melhor eu já tenho: uma amiga querida que eu posso contar sempre, pra gargalhar junto, pra chorar junto, pra rachar o taxi junto, pra ressacar junto, pra ser feliz junto! Te amo amiga! (as duas desatam num choro) Tina: (canta emocionada) "Amigo é coisa pra se guardar, do lado esquerdo do peito..." Kid:(corta) Ok, amiga! Já deu. Feliz natal, carinha gorda! (se abraçam) (nesse momento pára um carro, bem na frente delas. Vidro fumê. O motorista desce o teto do carro, é um conversível vermelho.) Motorista: (com sotaque americano) Oi... Vocês sabem pra onde fica Ipanema? Eu e meu amigo estamos perdidos... Enfim. Tina: (sussurra pra Kid) Nossa, ele se parece tanto com o Kevin Bacon e o amigo dele com o Kiefer Sutherland . Kid: (entre os dentes, transtornada) É porque é o Kevin Bacon e o Kiefer Sutherland, sua tapada. Kevin: Então? Vocês sabem? Kid: Claro. A gente pode levar vocês até lá, se quiserem... Kiefer: Seria um prazer... (as duas entram no conversível e partem rumo a Ipanema, rumo à felicidade frívola) Fim Feliz natal! E feliz aniversário aos amigos amados Vinicius Arneiro, Lucianna Meier, Felipe Abib e Tatynne Lauria. E um beijo enorme na pequenina Marieta, seja bem vinda ! Um novo ano cheio de energias positivas e proteção! Bjô Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008UM NATAL NONSENSE de Felipe Barenco Para ler, cantar e rebolar
Carlos Eduardo Figueira (ANDRÊAS GATTO) odeia Natal. Odeia festa. Odeia música. Odeia mais ainda festas natalinas com música. Não suporta festas natalinas com música e parentes na SUA casa usando gorrinhos de papai noel. Este será o natal de Carlos Eduardo Figueira, pego de surpresa ao chegar em casa e ver toda a parentada bêbada e na farra. Carlos entra e a gritaria vira um silêncio fúnebre. Estão todos paralisados: a tia solteirona sentada no piano bebendo vinho (CARINE KLIMECK), a vizinha solista da igreja num agudo estridente (SYLBETE SORIANO), as crianças, uma sobrinha lírica e outra funkeira, correndo pela casa sujando o tapete (BRUNELLA PROVVIDENTE E DOMINIQUE ARANTES), o cunhando limpando a mão suja de peru na almofada (FELIPE HERZOG), a esposa fritando rabanada na cozinha (PAULA ALEXANDER), a sogra embrulhando um cd da Simone pra dar de presente de amigo oculto (KELZY ECARD), um bandido perigoso rondando a casa (ITALO SASSO), o papagaio berrando “Noel! Noel” (ANDRÈ SIQUEIRA), o sogro misturando cerveja e licor (LAURO GÓES). Todos se olham. Tensão. Carlos (enfurecido, mas tentando se controlar) Porra galera, eu falei que não gosto de festa... Quantas vezes eu já disse isso pra vocês. Eu pensei que.. Todos (diante do gancho. cantam, rebolam e dançam) ...Eu pensei que todo mundo Fosse filho de Papai Noel Bem assim felicidade Eu pensei que fosse uma A vizinha num solo Brincadeira de papel! A sobrinha funkeira Já faz-faz-faz-faz Faz tempo que eu pedi Faz tempo que eu pedi Mas o meu Papai Noel no-no-no-no-não vem Carlos Porra galera! Porra... Eu gosto de vocês, com certeza Todos Com certeza já morreu Ou então felicidade É brinquedo que não tem! Carlos Porra galera! Todos congelados e silêncio mortal. Carlos Porra galera, assim não dá, respeita um pouquinho a noite... Todos abraçados cantando de frente pra Carlos ...noite feliz! Noite feliz! Òoooooooooo senhor Um solo da sogra bem desafinado Deeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeus do amor Todos abraçados. O sogro Pobrezinho nasceu em Xerém E caem na gargalhada Feeeeeeeeez na Lapa Jesus nosso bem! Doooooorme em paz Òoooooooo jesuuuuuus us A sobrinha lírica Dorme em paz Óoooooooooo Jesus Carlos Porra galera! Porra... Custa se reunir na casa de outro? Custa respeitar um pouquinho a minha decisão? Sei lá, entendeu? Hoje a noite... Todos em pares num forrozinho Hoje a noite é bela Juntos eu e ela Vamos à capela Felizes a rezar Ao soar o sino o sino pequenino A Tia solteirona faz um solo instrumental do refrão enquanto a família pega taças de cristal e colherinhas pra fazerem de instrumento. Todos cantam e batem Bate o sino pequenino sino de Belém Já nasceu o Deus menino para o nosso bem Sons de tiro. A família chega na janela e vê o ladrão cantando a música como no filme Dançando na Chuva, sapateando Paz na terra pede o sino Alegre a cantar Abençoe Deus menino Este nosso lar Carlos Porra galera, porra galera... por favor! Respeitem! Eu não quero dar sermão em ninguém, não quero parecer grosso nem arrogante; imagino que vocês estejam felizes, mas eu não gosto, não gosto de Natal. Esse ano eu não tô afim. No natal passado eu já deixei... A bisavó entra pela cozinha, com fumaça e cantando no microfone, às lagrimas Deixei meu sapatinho Na janela do quintal Papai Noel deixou... (interrompe para chorar) Papai Noel deixou Meu presente de Natal Todos batem palmas Como é que Papai Noel Não se esquece de ninguém A esposa vem da cozinha segurando o prato de rabanada numa interpretação contida, porém forte Seja rico ou seja pobre O velhinho sempre vem Seja rico ou seja pobre O velhinho sempre vem Carlos Porra galera, PORRA! Chega! Puta que pariu! Quero que cada um vá tomar no olho do seu cú! Caralho, que foda! Porra! Porra, puta que pariu! Gente escrota! Só gritando pra vocês me ouvirem? Que merda! É Natal, eu sei, é natal... (e arranca o microfone da bisavó, e canta num solo) Natal, Natal das crianças Natal da noite de luz Natal da estrela-guia Natal do Menino Jesus Os amigos funcionários da empresa aparecem saindo da chaminé (PÚBLICO) Blim, blão, blim, blão,blim, blão... Simone canta na televisão no especial do Roberto Carlos Bate o sino da matriz Papai, mamãe rezando Para o mundo ser feliz Todos de mãos dadas! Blim, blão, blim, blão,blim, blão... Carlos à capela O Papai Noel chegou Também trazendo presentes Para a vovó e o vovô. FIM E BOAS FESTAS! Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008O NATAL DE ALUMIA de Camilo Pellegrini Alumia é uma travestizinha muito tristonha e comedida.
Zanzara é uma versão baiana da Shakira, também travesti, obviamente. É natal. Apesar do verão, a rua da Glória está gélida esta noite, chove fininho. A- Noite parada... Z- Vem um carro lá atrás. A- Não é carro. É combi. Z- E combi não é carro, ô retardada? (PAUSA – sons do carro estacionando) A- Não me chama de retardada que eu não gosto. Z- Parou. A- Você escutou o que eu disse? Z- A combi parou, Alumia. (Um CARTEIRO se aproxima muito irritado com a chuva fina.) C- Zanzara é uma de vocês? Z- (DESAFIA) Quem é que quer saber? C- Encomenda pra Zanzara. Mandaram entregar aqui. Z- (SUBITAMENTE SIMPÁTICA) Surpresa do coronel? Deixa ver! C- Larga! Solta o pacote ou te encho de porrada! A- Deixa de ser tosco! Zanzara é ela mesma! Z- Me dá!!! Me dá!!! C- Não é assim que funciona, metendo a mão assim. Tem que assinar aqui primeiro. (CARTEIRO entrega a prancheta para ZANZARA assinar) Z- Dá logo isso aqui!!! (ZANZARA abre o pacote, é um saco enorme de castanhas de caju) A- Ué? Não é perfume? Z- Castanha de caju! A melhor da Bahia! C- Vocês são travestis? Z- Chispa! Chispa! Já fez o seu serviço. Tem gorjeta não. A- A não ser que tope uma chupeta. C (ESPERANÇOSO)- Sério?! Z- Ela está brincando com você! Some daqui! (CARTEIRO se afasta cabisbaixo. ZANZARA abre o pacote e dá uma castanha de caju para ALUMIA) Z- Toma. Feliz natal. (ALUMIA come uma castanha. Se delicia) A- Nossa! Fantástica! Z- Coronel manda pra mim. A- Dá mais uma. Z- Tira a mão!!! A- Que foi? Vai regular essa porcaria? Z- Essa porcaria aqui eu vou distribuir pros cliente. A- Como assim?! Z- Funciona! Natal retrasado fiz pela primeira vez. Agora eles lembram de mim. Natal passado voltaram todos! Foi por causa da castanha. A- Enfia essa m&*¨$&(¨no teu r&$%#))abo. Z- Um Vectra!!! Um Vectra ao longe!!! Só pode ser ele!!! O Paulinho Cristiano!!!! A- Que chuvinha fina de m&$¨*(%&. (ZANZARA se afasta saltitante, algumas castanhas caem pelo caminho.) Z- Paulinhoooo! Paulinhoooo! (ZANZARA já foi. ALUMIA olha o chão aflita) A- Caiu tudo no chão... (ALUMIA não resiste e cata as castanhas e enfia na boca.) A- Droga. Molharam tudo. (ALUMIA vislumbra uma castanha seca, que caiu num lugar estratégico e não se molhou) A- Uma sequinha! Que bom!!! ALUMIA saboreia sua castanha sequinha... luzes coloridas enchem o palco, música natalina ensurdecedora. ALUMIA feliz..... FIMMMMMMM ![]() |