Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

09 exercícios para quem quer ser um ator contemporâneo

Ou "Um tratado sobre a antropofagia carioca*", do best-seller Manual do artista contemporâneo, de Felipe Barenco.

1. Mascando chiclete
É a escola dos espertinhos, dos atores marrentos. Você fala o texto assim, meio largadão, cheia de pausas preenchidas pelo mascar chiclete, como se tudo o que é dito tenha como sub-texto FODA-SE. Importante concluir toda fala com algum som, tipo "tsc", que remete poeticamente ao estourar da bola e casa com o piscar de um dos olhos, buscando a cumplicidade da platéia. Atores dessa escola geralmente são eles mesmos no palco e gostam de performances.

2. Tirando casquinha de pipoca do dente
É a escola dos atores descolados e que podem viajar pra Europa todo ano. Ao dizer o texto você deve causar a sensação no espectador que "fala pra pensar" ao invés de "pensa pra falar", como acontece nas escolas tradicionais. Um exercício básico pra isso é dizer o texto como se estivesse tirando alguma casquinha de pipoca presa no dente, sempre repetindo entre uma pausa e outra a última palavra da fala ou, quando mais experiente, a própria idéia. Mais ou menos assim "Maria, você disse que.... (tira casquinha de pipoca) ... Você está querendo dizer que..." O sub-texto básico pra essa escola é EU SOU FODA.

3. Comendo paçoca
Essa escola é para o número incontável de atores que tem "provleminhas de gicção" e se recusam terminantemente a procurar um fonoaudiólogo. Afinal, se defendem, "se o personagem sou eu e eu falo com uma pronúncia péssima, o personagem também deve falar assim". É uma questão polêmica bastante debatida por intelectuais de várias classes. O sub-texto pra essa escola não existe, afinal ninguém entende nada mesmo que eles falam!

4. Cuspindo caroço de jaca
Essa escola é dos atores que tem presença, se impõe, se colocam e falam alto, sempre. Geralmente berram no meio de uma fala pra chamar atenção. Afinal, são atores que interpretam como se estivessem comendo jaca, que é uma fruta ruim pra cacete. Tem que ter culhão. É a escola do famoso "pega o texto, põe na boca e joga fora!" Joga esse texto fora e não saboreia muito, não. Tem que ir colocando na boca e cuspindo, na boca e cuspindo. O foco não é o que o ator está dizendo, mas como ele está dizendo. O sub-texto é APLAUSOS. Geralmente esse tipo de ator leva uns amigos para ficarem aplaudindo (sozinhos) a cada tirada genial do colega em cena.

5. Sentindo o gosto do recheio do babaloo
É a escola dos atores que sentem. Cada palavra é muito, muito saborosa e eles aproveitam cada pedacinho do texto ao máximo, como se ao dizer a palavra estourasse na boca o caldinho do recheio do babaloo. O sub-texto pra esses atores é HUM, QUE DELÍCIA. Espetáculos com atores dessa escola costumar levar o dobro do tempo. Conseguem aproveitar absolutamente tudo do texto e os espectadores, nada.

6. Tomando sopa quente
Essa não é uma escola em si, mas o estágio em que começa quase todo ator. O ator iniciante tá muito ansioso pra falar, então ele fala rápido, correndo, doido pra se livrar logo do texto. Não está preocupado com o que diz, mas em se queimar. Cada frase é uma colherada de sopa quente na boca. O sub-texto é ÁGUA, ÁGUA! (por isso gesticulam bastante!)

7. Chupando tic-tac
Essa é para atores dos cursos de TV. O exercício para chegar a sofisticação desse nível de interpretação pode ser alcançado chupando uma balinha tic-tac na ponta dos lábios, o que causa a exata impressão de apatia, de estar tão natural em cena que parece nem estar ali. É a escola da "refrescância 24h com menos de uma caloria" (arram, arram). O sub-texto é MEU PAI É RICO E VEM ME BUSCAR DE CARRO. Alguns desses atores nascem diretamente no teatro e montam cias no estilo "humor-blasê-carioca-contemporâneo", montando espetáculos de humor onde não se pode rir alto porque é falta de educação.

8. Comendo algo que você nunca provou
Esse exercício é para quem quer se aventurar no teatro infantil. É um pouquinho mais complicado, porque trabalha com o lúdico, com a imaginação. Requer que o ator diga o texto como se estivesse saboreando algo muito gostoso pela "primeira vez amiguinhos!!!", trazendo uma expressão viva e olhos bastante arregalados. Orientais não são bem-vindos. O sub-texto é MONEY, MONEY, MONEY. Faz parte da mesma escola do babaloo, só que naquele caso falamos em interiorização e neste exteriorização de sentimentos. (Dica - se for fazer um vilão, do tipo bruxa ou lobo mau, basta imaginar que está comendo algo que você nunca comeu e o gosto é ruim).

9. Segurando o arroto
Por fim, um exercício simples e eficaz para os atores que sonham com os musicais. Você diz o texto postado e armado, como se estivesse em constante estado de alerta, segurando um arroto que não pode sair. Isso gera um estado no corpo de atenção e você caminha como se fosse um fantoche. "Arrotar" é a metáfora para "cantar".


*Dedico este texto a todos os atores que não se levam à sério.

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

"Não Perturbe" no Sérgio Porto... estréia hoje!


Domingo, 26 de Outubro de 2008

Texto do Nelson

Queridos leitores,

Postei com bastante atraso meu texto do tema "Nelson Rodrigues", mas fiquei satisfeito com a adaptação. Quem tiver curiosidade, passa lá!

Além disso, os textos desta semana serão encenados pelos alunos de interpretação da Escola de Teatro Martins Pena, que estão se formando no final do ano. Foi um simpático e desafiador convite de Jô Bilac e Dudu Gama.

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

numa noite de insônia

Ousei rabiscar uma canção, numa daquelas noites, em que a gente pede para as estrelas: "Por favor, me deixem dormir! " Eis abaixo.

Vozes da madrugada

Vem meu céu de estrelas, ilumina o pranto da noite
Determina cantiga de sono para que eu possa em seus braços sonhar.
Vem ó lua tão cheia encaminha meus passos insanos
E me guia na noite terrena me transforma num anjo lunar.
Canta vozes noturnas passeando sobre meu rosto, me dizendo aonde eu me perco pra que eu possa me reencontrar.
Fujam bichos gatunos , fujam bichos noturnos, abro os braços esperando essa noite passar.
Vem ó céu grandioso leva pra fonte sagrada, me cobre com a sua morada para que eu sinta a chegada do sol que começa a raiar.

Domingo, 19 de Outubro de 2008

TEASER - MOSTRA DE TEATRO CARIOCA ELETROBRÁS







DRAMADIARIO.COM EM
TEASER - MOSTRA DE TEATRO CARIOCA ELETROBRÁS

Dias 17 (sexta),18 (sábado) e 19 (domingo) de outubro às 19h
(uma hora antes de Peter Brook)
no Jardim Botâncio (Rua Jardim Botânico, 1008)

ENTRADA FRANCA

Dia 17: Leitura dramatizada de textos pré-selecionados dos autores do site Drama Diário por artistas convidados.

Dia 18: Demonstração dos trabalhos das Companhias dos autores do site Drama Diário.

Dia 19: Leitura dramatizada do texto em processo “Síndrome de Baby Jane” de Larissa Câmara (integrante do site drama diário). Lido por Tales Frey (Via Web Cam diretamente de Portugal) e Larissa Câmara. Leitura dirigida por Larissa Câmara e Brunella Provvidente.

Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

DINHEIRO

QUANTO CUSTA O QUE NÃO SE PODE PAGAR?

Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

ESTRÉIA HOJE!!!

"SERPENTE VERDE SABOR MAÇÃ" e "Amélia – mulher mata marido a martelada"

As duas peças vão inaugurar o projeto das 5as. feiras em dose dupla, no Espaço Cultural Sérgio Porto, esse ano.

O preço p/ uma peça é R$ 20. quem comprar ingresso p/ ver as duas peças pagará R$ 15.

"SERPENTE VERDE SABOR MAÇÃ".

Texto e Direção: Jô Bilac e Larissa Câmara.

Com: Aline Vargas, Adriana Valdevina, Edi Raffa, Sandro Pamponet, Patricia Britto e a atriz convidada Lucianna Magalhães.

A Senhora G oferece um chá para os seus visitantes. Dependendo do discurso do seu convidado o resultado do encontro pode ser amargo e fatal.

Espaço Cultural Sérgio Porto: Rua Humaitá, 163 – 2266-0896. Quintas, às 20h. R$ 20,00. 60 minutos. Não recomendado para menores de 12 anos.


"Amélia – mulher mata marido a martelada". de Camilo Pellegrini, com Larissa Siqueira.

Amélia sempre se definiu como uma mulher de fibra. Depois de oito anos de casada com Arnaldo, ela o mata na cozinha com golpes de martelo.

Espaço Cultural Sérgio Porto: Rua Humaitá, 163 – 2266-0896. Quintas, às 21h30m. R$ 20,00. 60 minutos. Não recomendado para menores de 18 anos.

APAREÇAM BJS!!!

Arquivo

Maio 2008